Principais destaques
- A resposta depende do que você considera, de fato, um “buraco”.
- Para a matemática, só conta o que atravessa completamente o corpo.
- Usando a lógica da topologia, o número final surpreende.
À primeira vista, parece uma pergunta simples de curiosidade de internet.
Basta listar boca, nariz, ouvidos e pronto. Mas basta pensar um pouco mais para perceber que a conta não fecha tão fácil assim. Afinal, o que exatamente define um buraco? Qualquer abertura serve ou só aquelas que vão de um lado ao outro?
É aqui que a matemática entra em cena e muda completamente a forma de enxergar o corpo humano.
O que a matemática chama de buraco
No cotidiano, costumamos chamar de buraco qualquer cavidade ou abertura. Mas, na matemática, especialmente na área chamada topologia, a definição é bem mais rigorosa. Um buraco verdadeiro é aquele que atravessa completamente um objeto, permitindo passar algo de um lado ao outro.
É por isso que um túnel é considerado um buraco, enquanto uma simples depressão não é. Um canudo, por exemplo, pode parecer ter dois buracos, um em cada ponta. Mas para os matemáticos, ele tem apenas um, já que a abertura de um lado é apenas a continuação da mesma passagem.
Esse raciocínio ajuda a entender por que objetos como rosquinhas, argolas e canudos pertencem à mesma “família” matemática: todos têm um único buraco que atravessa o objeto.
Abrindo o corpo humano para a conta
Levando essa definição ao corpo humano, a lista inicial de aberturas é grande. Boca, narinas, ânus, canais lacrimais dos olhos, além de poros, uretra, canais auditivos e, em alguns corpos, vagina e mamilos.
Mas nem todas essas aberturas contam. Poros, por exemplo, são considerados “fundos cegos”, pois não levam a outra saída. O mesmo vale para a uretra, os ductos mamários e os ouvidos, que terminam no tímpano.
Restam, então, apenas as aberturas que realmente se conectam internamente e permitem uma passagem completa. Nesse grupo entram a boca, o ânus, as duas narinas e os quatro pequenos orifícios dos canais lacrimais, que drenam as lágrimas para dentro do nariz.
Então, quantos buracos nós temos?
Aqui está o detalhe curioso: mesmo existindo oito aberturas interligadas, isso não significa que existam oito buracos. Quando várias aberturas se conectam internamente, a topologia mostra que o número de buracos é sempre um a menos.
Seguindo essa lógica, o corpo humano teria sete buracos. Mas há uma possível exceção. No corpo feminino, a vagina se conecta ao útero e às trompas, que são abertas em suas extremidades. Isso cria, tecnicamente, mais um caminho completo através do corpo.
Por isso, dependendo da anatomia considerada, a resposta final é que seres humanos têm sete ou oito buracos, segundo a matemática.
No fim das contas, essa curiosidade mostra que o corpo humano é menos parecido com um pedaço de queijo suíço e mais com uma engenhosa peça de engenharia biológica, onde tudo está conectado de forma surpreendente.



