Anatoli Bugorski: o homem que sobreviveu a um feixe de prótons na cabeça

Renê Fraga
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Imagine só: um feixe de prótons, capaz de atravessar praticamente qualquer coisa, passa direto pela sua cabeça. Parece cena de filme de ficção científica, mas essa foi a realidade do físico russo Anatoli Bugorski em 1978.

Enquanto trabalhava no maior acelerador de partículas da União Soviética, o U-70 Síncrotron, Bugorski sofreu um acidente que poderia ter sido fatal. Mas, contra todas as expectativas, ele não só sobreviveu como vive para contar essa história até hoje.

No dia 13 de julho daquele ano, Bugorski estava checando uma peça defeituosa do equipamento quando, sem querer, colocou a cabeça no caminho do feixe de prótons. O resultado foi um flash de luz tão intenso que ele descreveu como “mais brilhante que mil sóis”.

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O feixe atravessou seu crânio, queimando parte de seu rosto, osso e tecido cerebral. A dose de radiação que ele recebeu foi algo entre 2.000 e 3.000 Sieverts – uma quantidade mil vezes maior do que o necessário para matar uma pessoa.

Nos dias seguintes, o rosto de Bugorski inchou, e os danos causados pelo feixe ficaram cada vez mais evidentes. Os médicos acreditavam que ele não sobreviveria e o levaram para uma clínica em Moscou, basicamente para monitorar sua deterioração até a morte.

Mas, para surpresa de todos, Bugorski começou a melhorar. Não só ele deixou a clínica, como ainda conseguiu terminar seu doutorado e continuar trabalhando como físico de partículas.

Hoje, com 82 anos, Anatoli Bugorski é um verdadeiro exemplo de resiliência humana. Sua história é um misto de sorte, ciência e uma dose de mistério.

Como ele sobreviveu a uma dose tão letal de radiação? A medicina ainda não tem todas as respostas, mas uma coisa é certa: Bugorski entrou para a história como o homem que enfrentou um dos acidentes mais bizarros e fascinantes já registrados.

E, cá entre nós, ele é a prova viva de que a realidade pode ser mais surpreendente que qualquer ficção.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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