🧱 Principais destaques:
- Um mural tridimensional de 4.000 anos foi encontrado no norte do Peru.
- A obra mostra aves de rapina, peixes, estrelas e figuras mitológicas em cores vibrantes.
- O achado revela pistas sobre a vida espiritual e social das primeiras civilizações da região.
Imagine caminhar por um sítio arqueológico e se deparar com uma obra de arte que poderia estar em um museu de arte contemporânea mas que, na verdade, foi criada há cerca de 4 milênios.
Foi exatamente isso que aconteceu no norte do Peru, onde arqueólogos descobriram um mural tridimensional multicolorido que está mudando a forma como entendemos as primeiras sociedades da América do Sul.
A descoberta aconteceu no sítio de Huaca Yolanda, na região de La Libertad. Ali, uma parede de três por seis metros revelou um verdadeiro tesouro artístico: um mural em relevo, pintado em tons vibrantes de azul, vermelho, amarelo e preto, que fazia parte da decoração interna de um templo.
O enigma do pássaro gigante
O destaque da obra é uma ave de rapina monumental, retratada com as asas abertas e adornada por padrões em forma de diamante que conectam os dois lados do mural.
Ao redor dela, surgem imagens de peixes, redes, estrelas e até seres mitológicos.
Segundo a arqueóloga Ana Cecilia Mauricio, que lidera a escavação, essa representação não é apenas arte: ela reflete a visão de mundo das comunidades costeiras que viveram entre 2000 e 1000 a.C..
Para esses povos, a natureza, os astros e os animais estavam profundamente ligados à espiritualidade e à organização social.
Xamãs, rituais e transformações
Naquela época, os líderes mais poderosos não eram guerreiros ou reis, mas sim xamãs e sacerdotisas.
Eles eram vistos como guias espirituais e também como cientistas primitivos, capazes de usar plantas medicinais e observar os astros para orientar suas comunidades.
Um detalhe intrigante do mural mostra figuras humanas se transformando em aves — possivelmente uma referência a rituais xamânicos realizados com o uso do cacto San Pedro, conhecido por suas propriedades alucinógenas.
Essa cena sugere que os antigos peruanos acreditavam em estados de transformação espiritual, nos quais o ser humano poderia se conectar diretamente com o mundo animal e divino.
Um tesouro ameaçado
Apesar da grandiosidade da descoberta, o futuro do sítio arqueológico está em risco. A região enfrenta ameaças constantes de atividades agrícolas, construções modernas e até saqueadores.
Mauricio lembra que, há milhares de anos, esses povos já sabiam lidar com os ciclos extremos do clima, como o fenômeno El Niño. Hoje, o desafio é outro: proteger esse patrimônio inestimável da ação humana.
