Astrônomos captam sinal misterioso vindo do início do Universo

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Um sinal de apenas 10 segundos foi detectado e teria se originado há cerca de 13 bilhões de anos.
  • O fenômeno está ligado a uma das supernovas mais antigas já observadas pelos cientistas.
  • A descoberta levanta novas dúvidas sobre como eram as primeiras estrelas do Universo.

Um breve clarão de energia, que cruzou o cosmos por bilhões de anos, acabou de chegar aos instrumentos da ciência moderna.

Astrônomos identificaram um sinal extremamente antigo, emitido quando o Universo ainda estava em sua infância, poucos centenas de milhões de anos após o Big Bang. A descoberta reacende o fascínio humano por eventos que ocorreram no chamado alvorecer do tempo.

O sinal, classificado como uma explosão de raios gama, teve duração de cerca de 10 segundos. Apesar de curto, ele carrega informações valiosas sobre a morte violenta de uma estrela gigantesca, em uma época em que galáxias ainda estavam se formando.

Uma explosão estelar de proporções colossais

Tudo indica que o fenômeno teve origem na explosão de uma estrela enorme, que encerrou sua existência em uma supernova extremamente energética. Esse tipo de evento libera uma quantidade colossal de radiação e pode ser detectado mesmo após atravessar praticamente todo o Universo observável.

O mais impressionante é o tempo de viagem dessa luz. Ela começou seu percurso quando o Universo tinha cerca de 730 milhões de anos e só agora foi captada por telescópios modernos aqui na Terra.

O papel do satélite SVOM na descoberta

O sinal foi registrado em março pelo satélite Space Variable Objects Monitor, uma missão espacial dedicada a observar fenômenos transitórios no espaço profundo. O projeto conta com a colaboração de agências como a NASA e tem sido fundamental para identificar eventos raríssimos como esse.

Graças à sensibilidade dos instrumentos, os cientistas puderam confirmar que se trata de uma das explosões mais distantes e antigas já detectadas.

Um enigma que desafia o que sabemos sobre estrelas antigas

Apesar da empolgação, a descoberta também trouxe mistério. Esperava-se que estrelas tão antigas fossem muito maiores e mais quentes do que as que vemos hoje. No entanto, essa supernova apresenta características surpreendentemente parecidas com explosões estelares bem mais recentes.

Segundo Andrew Levan, pesquisador da Radboud University, eventos desse tipo são extremamente raros. Em meio a décadas de observação, apenas um pequeno número de explosões de raios gama foi identificado dentro do primeiro bilhão de anos do Universo.

A descoberta não apenas amplia nosso conhecimento sobre o passado cósmico, como também mostra o quanto ainda há para aprender sobre as primeiras estrelas que iluminaram o Universo.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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