Você já parou para pensar por que alguns transtornos psiquiátricos, como autismo, TDAH e esquizofrenia, parecem estar conectados de alguma forma?
Um estudo recente trouxe uma revelação surpreendente: oito desses transtornos compartilham uma base genética comum! Isso pode explicar por que muitas dessas condições apresentam sintomas semelhantes ou até mesmo aparecem juntas em uma mesma pessoa ou família.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade da Carolina do Norte, sugere que essas semelhanças genéticas podem ser a chave para entender melhor e tratar esses distúrbios.
Mas como isso funciona? Os pesquisadores descobriram que certas variantes genéticas, presentes em todos esses transtornos, estão ativas por mais tempo durante o desenvolvimento do cérebro.
Esses genes produzem proteínas que interagem intensamente com outras, criando uma rede complexa. Qualquer alteração nessas proteínas pode causar efeitos em cascata, impactando várias áreas do cérebro.
O que pode explicar por que uma mesma variante genética está ligada a condições aparentemente diferentes, como autismo e TDAH, que frequentemente ocorrem juntas.
O estudo analisou quase 18 mil variações genéticas, tanto as compartilhadas quanto as específicas de cada transtorno, e as testou em células precursoras de neurônios. Os resultados mostraram que 683 dessas variantes influenciam a regulação genética durante o desenvolvimento cerebral.
Além disso, essas variantes “pleiotrópicas” (que afetam múltiplas condições) estão envolvidas em interações proteicas mais amplas e atuam em diferentes tipos de células cerebrais. Isso sugere que elas podem impactar diversos processos, desde a formação dos neurônios até a regulação de genes.
Segundo a geneticista Hyejung Won, uma das autoras do estudo, entender essa base genética comum pode revolucionar o tratamento de transtornos psiquiátricos. “Se conseguirmos desenvolver terapias que atuem sobre esses fatores genéticos compartilhados, poderíamos tratar várias condições com uma única abordagem”, explica ela.
E isso seria um avanço e tanto, já que a Organização Mundial da Saúde estima que 1 em cada 8 pessoas no mundo vive com algum tipo de transtorno psiquiátrico.
