Bad Bunny: como um apelido da internet se transformou em símbolo cultural latino

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • O nome Bad Bunny surgiu de uma foto de infância em que o cantor aparecia de coelho com expressão irritada.
  • Ele foi headliner do show do intervalo do Super Bowl 2026, o primeiro solo em espanhol da história.
  • Sua presença no evento gerou debates políticos e críticas públicas, inclusive do ex-presidente Donald Trump.

Benito Antonio Martínez Ocasio, mais conhecido mundialmente como Bad Bunny, transformou uma imagem de infância em uma das marcas mais reconhecidas da música contemporânea.

Nascido em 10 de março de 1994 em Vega Baja, Porto Rico, Benito tinha interesses musicais desde criança e cantava no coral da igreja antes de seguir carreira profissional.

De foto infantil a nome artístico

O nome Bad Bunny teve origem em uma foto de Benito quando era pequeno: ele estava vestido com uma fantasia de coelho, e claramente emburrado, o que inspirou o apelido “Bad Bunny”, que em inglês significa “coelho mau”. Mais tarde, ele adotou esse nome como seu stage name ao começar a divulgar suas músicas.

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Em entrevistas, ele explicou que achava o nome memorável e divertido, e que o contraste entre um coelho “mau” e a fofura tradicional do animal funcionava bem para sua persona artística.

“É uma longa história, mas é por causa de uma foto minha de quando eu era pequena. A ideia surgiu quando eu queria começar nessa coisa de música, pois usei um conceito que ninguém vai usar na história do gênero, e é algo diferente. É um personagem ou uma marca. O coelho ruim, ou maligno, como as pessoas querem chamá-lo”, disse ele durante a entrevista.

Marco histórico no Super Bowl

Bad Bunny alcançou um novo auge ao ser o primeiro artista solo latino e de fala majoritariamente espanhola a encabeçar o halftime show do Super Bowl, o evento musical mais assistido da televisão americana, que aconteceu em 8 de fevereiro de 2026 no Levi’s Stadium, na Califórnia.

O espetáculo contou com participações especiais de artistas como Lady Gaga e Ricky Martin e mesclou referências culturais latinas, incluindo ritmos caribenhos e homenagens às raízes porto-riquenhas de Benito.

O show terminou com uma mensagem de unidade, incluindo slogans como “Together we are America” (Juntos somos América).

Apesar da aclamação internacional, a performance gerou polêmica nos Estados Unidos. O ex-presidente Donald Trump criticou fortemente o show, chamando-o de “absolutamente terrível” e uma afronta aos valores americanos, principalmente por ter sido em espanhol e com elementos culturais fora do padrão típico do evento.

Voz política e ativismo

A carreira de Bad Bunny também é marcada por posicionamentos políticos públicos. Ele criticou duramente políticas de imigração dos EUA e expressou solidariedade aos imigrantes, por exemplo, em discursos no Grammy e em eventos musicais, defendendo respeito e direitos humanos.

Antes mesmo do Super Bowl, Bad Bunny já havia sido alvo de comentários de Trump, incluindo declarações de que sua escolha como atração principal do halftime show era “ridícula” e que ele “nunca tinha ouvido falar dele”.

Além disso, sua música já foi usada em campanhas políticas nos EUA e ele se envolveu em protestos e debates sobre a identidade porto-riquenha, a independência da ilha e questões sociais, ampliando sua influência além da música.

Mais do que um nome

O apelido Bad Bunny, surgido de uma simples foto, acabou se tornando símbolo de uma geração e de uma voz cultural global, unindo música, identidade latina e engajamento político em um momento de grande visibilidade internacional.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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