Principais destaques
- Arqueólogos identificaram um raro tipo de embarcação do Egito Antigo apelidada de “barco de festas”.
- O achado ocorreu no porto submerso de Alexandria, próximo a templos e palácios reais.
- O barco pode ter sido usado tanto em celebrações quanto em rituais religiosos e tarefas administrativas.
Sob as águas do porto oriental de Alexandria, no litoral mediterrâneo do Egito, pesquisadores descobriram os restos de uma embarcação que ajuda a recontar a história da cidade antiga.
Afundados por terremotos e pelo avanço do mar, portos, palácios e templos formam hoje um verdadeiro museu submerso. Foi nesse cenário que surgiu a evidência de um tipo especial de barco do Nilo, conhecido nos textos antigos como thalamagos.

Uma cidade engolida pelo mar
As escavações recentes se concentram na antiga ilha de Antirrodos, onde já haviam sido localizados um templo dedicado à deusa Ísis, restaurado por Cleópatra VII, e o Timônio, palácio ligado a seu aliado romano, Marco Antônio.
Esses achados mostram como Alexandria passou de símbolo do luxo da dinastia ptolomaica a um centro econômico vital do Império Romano.
Durante a missão mais recente, arqueólogos encontraram um naufrágio que, à primeira vista, parecia apenas mais um navio mercante romano. No entanto, os detalhes começaram a contar outra história.
O mistério de um barco diferente
O barco tem cerca de 28 metros de comprimento, fundo plano e casco largo, características incomuns para embarcações de carga marítima.
Inscrições em grego gravadas na madeira indicam que ele foi construído ou reparado em Alexandria. Outro detalhe chamou atenção: não havia sinal de mastro, o que sugere que ele era movido a remos.
Essas pistas levaram os pesquisadores a comparações com textos antigos e representações artísticas. Um mosaico famoso encontrado em Palestrina, na Itália, mostra uma embarcação muito semelhante, reforçando a ideia de que se trata de um thalamagos, um tipo de barco frequentemente associado a lazer, banquetes e celebrações no Nilo.
Festa, trabalho ou ritual?
Autores romanos descreviam esses barcos como símbolos de luxo exagerado, chegando a chamá-los de brinquedos da realeza. O geógrafo Estrabão relatou festas realizadas em barcos desse tipo nos arredores de Alexandria, especialmente durante festivais populares.
Mas documentos administrativos da época mostram um lado mais prático. Esses barcos também transportavam autoridades e mercadorias, o que explica sua presença em um porto comercial movimentado.
Há ainda outra hipótese: a proximidade com o templo de Ísis sugere que o barco pode ter sido usado em procissões religiosas, como a celebração da Navegação de Ísis, festival que marcava a reabertura das rotas marítimas após o inverno.
Agora, análises mais detalhadas estão em andamento para reconstruir como essa embarcação era e qual foi exatamente seu papel. Seja como barco de festa, veículo oficial ou barca sagrada, o achado mostra que os segredos do Egito Antigo continuam emergindo, literalmente, das profundezas do mar.



