Campos magnéticos do universo bebê eram bilhões de vezes mais fracos que um ímã de geladeira

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Os primeiros campos magnéticos do universo eram incrivelmente fracos, comparáveis à atividade elétrica dos neurônios do cérebro humano.
  • Mais de 250 mil simulações de computador ajudaram cientistas a entender como esses campos influenciaram a formação do cosmos.
  • A descoberta redefine os limites da intensidade desses campos e pode explicar como estrelas e galáxias surgiram.

O enigma magnético do universo primordial

Imagine o universo recém-nascido, ainda em seus primeiros instantes após o Big Bang.

Nesse cenário, os campos magnéticos que surgiram eram tão fracos que fariam um simples ímã de geladeira parecer um gigante. Para se ter uma ideia, sua intensidade era comparável ao magnetismo gerado pelos neurônios em nosso cérebro.

Mesmo com tamanha fragilidade, esses campos deixaram marcas que ainda hoje podem ser detectadas no tecido cósmico, a chamada “teia cósmica”, uma rede de filamentos que conecta galáxias por todo o universo.

Mas como algo tão sutil conseguiu influenciar a formação de estrelas, galáxias e até a própria estrutura do cosmos? Essa foi a pergunta que motivou um grupo internacional de cientistas a investigar o mistério.


250 mil simulações para recriar o nascimento do cosmos

Pesquisadores da International School for Advanced Studies (SISSA), em colaboração com universidades como Cambridge, Stanford e Nottingham, realizaram um feito impressionante: rodaram cerca de um quarto de milhão de simulações de computador para tentar entender o papel desses campos magnéticos primordiais.

Essas simulações foram comparadas com dados reais de observações astronômicas. O resultado? O modelo que considera campos magnéticos extremamente fracos, cerca de 0,2 nano-gauss, se encaixa muito melhor com o que os telescópios observam no universo atual.

Ou seja, mesmo quase imperceptíveis, esses campos foram fundamentais para moldar a teia cósmica e acelerar a formação das primeiras estruturas cósmicas.


Um novo limite para o magnetismo primordial

O estudo, publicado na revista Physical Review Letters, estabeleceu um novo limite máximo para a intensidade desses campos magnéticos, muito menor do que se imaginava até então.

Segundo os cientistas, essa descoberta não apenas ajuda a explicar como o universo evoluiu, mas também abre caminho para novas investigações.

O Telescópio Espacial James Webb, por exemplo, poderá fornecer dados ainda mais precisos para confirmar essas hipóteses.

Além disso, entender esses campos magnéticos primordiais pode ter impacto em outros modelos teóricos que buscam explicar a formação de estruturas cósmicas.

Afinal, mesmo forças quase invisíveis podem ter desempenhado um papel decisivo na história do universo.


🔭 Curiosidade final: da próxima vez que você olhar para um ímã de geladeira, lembre-se: ele é bilhões de vezes mais forte do que os campos magnéticos que ajudaram a dar forma ao cosmos.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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