Cientistas criam novo composto superenergético que pode revolucionar viagens espaciais

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • Um novo combustível, chamado diboreto de manganês (MnB₂), pode tornar foguetes mais potentes e eficientes.
  • Ele libera muito mais energia por peso e volume do que os combustíveis atuais, ocupando menos espaço nas naves.
  • Além de foguetes, o material pode ter usos em catalisadores de carros e reciclagem de plásticos.

Um combustível que pode mudar o futuro das viagens espaciais

Imagine um foguete que precisa carregar menos combustível, mas ainda assim consegue voar mais longe e levar mais carga. Parece ficção científica, mas não é.

Pesquisadores da Universidade de Albany (EUA) conseguiram criar um novo composto químico chamado diboreto de manganês (MnB₂), que promete transformar a forma como pensamos em combustível espacial.

Esse material libera 20% mais energia por peso e 150% mais energia por volume do que o alumínio, que hoje é usado em propulsores sólidos de foguetes.

Na prática, isso significa que as naves poderiam carregar menos combustível e, em troca, ganhar mais espaço para equipamentos científicos, suprimentos ou até amostras coletadas em missões.

E o melhor: apesar de ser altamente energético, o MnB₂ é seguro. Ele só entra em combustão quando entra em contato com um agente de ignição, como a querosene.

Yeung Lab Spotlight: Creating New Compounds with Arc Melting

O segredo está na estrutura atômica

O que torna esse composto tão especial é a sua estrutura interna deformada. Usando modelos de computador, os cientistas descobriram que os átomos do MnB₂ não se organizam de forma perfeitamente simétrica.

Essa pequena “distorção” funciona como uma mola comprimida, armazenando energia que é liberada quando o material é aceso.

Para visualizar, pense em um trampolim esticado: quando está reto, não há energia acumulada.

Mas se você coloca um peso enorme no centro, ele se deforma e guarda energia. Quando o peso é retirado, toda essa energia é liberada de uma vez.

É exatamente isso que acontece com o MnB₂ quando entra em combustão.

Como ele foi criado: calor extremo e muita paciência

Produzir o diboreto de manganês não foi nada simples. Os cientistas precisaram usar uma máquina chamada arc melter, que dispara uma corrente elétrica concentrada em um pequeno pellet feito de manganês e boro.

Esse processo aquece o material a incríveis 3.000 °C (mais de 5.000 °F).Depois, o composto é resfriado rapidamente, o que “trava” sua estrutura atômica deformada.

O resultado é um material compacto, cheio de energia armazenada e pronto para ser estudado em diferentes aplicações.

Além do uso em foguetes, os pesquisadores acreditam que o MnB₂ e outros compostos semelhantes podem ajudar a criar catalisadores mais resistentes para carros e até novas formas de quebrar plásticos, contribuindo para a reciclagem.

Uma descoberta que nasceu da curiosidade

O professor Michael Yeung, que lidera a pesquisa, contou que seu interesse por compostos de boro começou ainda na época de estudante, quando buscava materiais mais duros que o diamante.

Em um de seus experimentos, percebeu que um desses compostos começava a brilhar e liberar calor inesperadamente.

Foi aí que surgiu a ideia de investigar melhor esse tipo de material.Hoje, anos depois, essa curiosidade pode abrir caminho para novas tecnologias espaciais e ambientais.

É um exemplo perfeito de como a ciência, muitas vezes, avança a partir de perguntas simples e descobertas inesperadas.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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