🏄 Principais destaques:
- As ondas do mar produzem sons abaixo da capacidade de audição humana, chamados de infrassons.
- Esses sons revelam informações preciosas sobre o comportamento do oceano e da costa.
- A descoberta pode ajudar a monitorar o mar mesmo em condições de baixa visibilidade, como neblina ou tempestades.
Quem já ficou sentado na areia, ouvindo o barulho das ondas, sabe o quanto esse som pode ser relaxante. Mas o que quase ninguém imagina é que, por trás desse “ronco” familiar do mar, existe um universo de sons invisíveis ao ouvido humano.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara (UCSB), descobriram que as ondas quebrando na costa produzem um espectro riquíssimo de sons em baixíssimas frequências, chamados de infrassons, que não conseguimos ouvir, mas que carregam informações valiosas sobre a dinâmica costeira.
Essa descoberta abre caminho para uma nova forma de “escutar” o oceano e entender melhor como ele se comporta.
O que são os sons escondidos do mar?
Quando uma onda quebra, não é apenas água se chocando contra a areia ou as pedras. Nesse processo, pequenas bolhas de ar ficam presas e depois colapsam, vibrando em conjunto como se fossem um coral invisível.
Esse movimento gera oscilações de pressão que se transformam em infrassons (sons abaixo de 20 Hz) e também em vibrações sísmicas que se propagam pelo solo.
Embora não possamos ouvi-los, esses sons são intensos: chegam a níveis comparáveis ao barulho de um trânsito movimentado ou até de uma fábrica em funcionamento.
É como se o mar estivesse constantemente “gritando” em uma frequência que não conseguimos captar.
Como os cientistas conseguiram ouvir o inaudível?
Para revelar esse mundo oculto, os pesquisadores instalaram sensores de infrassom e sismômetros em uma área protegida chamada Coal Oil Point Reserve, próxima ao campus da UCSB.
Além disso, usaram câmeras de alta definição para registrar o momento exato em que as ondas quebravam.
Combinando os dados de som e imagem, eles conseguiram identificar um “impressão digital acústica” única de cada onda.
Descobriram que os infrassons aparecem em rajadas repetitivas entre 1 e 5 Hz, acompanhando o ritmo das ondas.
Mais surpreendente ainda: analisando o tempo de chegada desses sinais em diferentes sensores, os cientistas conseguiram mapear o ponto exato da costa onde a onda se chocava.
O que mostra que o formato do fundo do mar e das rochas influencia diretamente na intensidade e no padrão desses sons escondidos.
Por que isso é tão importante?
Além da curiosidade científica, essa descoberta tem aplicações práticas poderosas.
Hoje, o monitoramento das condições do mar depende muito de câmeras e observações visuais, que falham em situações de neblina, escuridão ou tempestades.
Já os sensores de infrassom e vibração podem funcionar 24 horas por dia, em qualquer clima, oferecendo uma nova forma de acompanhar o comportamento das ondas.
Isso pode ajudar em:
- Gestão costeira: prever erosão e impactos do mar em áreas urbanas.
- Segurança: monitorar condições perigosas para banhistas e embarcações.
- Ciência climática: entender como o oceano responde às mudanças do clima.
Os pesquisadores acreditam que, no futuro, será possível criar sistemas autônomos que “escutem” o mar e forneçam dados em tempo real, sem depender de imagens.
💡 O mar fala: só precisamos aprender a ouvir
Essa pesquisa mostra que o oceano guarda segredos que vão muito além do que nossos sentidos percebem.
Ao explorar os sons abaixo do limite da audição humana, os cientistas abriram uma nova janela para compreender a relação entre o mar, a atmosfera e a Terra.
Em outras palavras: o mar sempre esteve “conversando” conosco. Só agora começamos a entender sua linguagem invisível.
