Cientistas descobrem que os oceanos já tiveram cor de esmeralda

Renê Fraga
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Imagine olhar para a Terra do espaço e, em vez de ver aquele lindo tom azul que conhecemos hoje, se deparar com um planeta de águas esverdeadas! Pois é, cientistas japoneses publicaram um estudo fascinante na revista Nature sugerindo que, há bilhões de anos, nossos oceanos podem ter tido uma cor bem diferente.

Por que os oceanos eram verdes?

Hoje, a Terra é conhecida como o “planeta azul” por causa de seus vastos oceanos. Mas, no passado remoto, mais especificamente no Éon Arqueano (entre 3,8 e 1,8 bilhões de anos atrás), a química dos mares era completamente diferente. Naquela época, não havia oxigênio na atmosfera ou nos oceanos, e a vida era composta apenas por microrganismos simples.

O segredo da cor verde estaria no ferro dissolvido na água. Como não havia oxigênio livre, o ferro permanecia em sua forma reduzida (Fe²⁺), vindo de rochas continentais e vulcões submarinos. Quando as primeiras cianobactérias (também chamadas de “algas azuis”) começaram a fazer fotossíntese, elas liberaram oxigênio como subproduto. Esse oxigênio reagiu com o ferro, oxidando-o (transformando-o em Fe³⁺) e criando partículas que davam um tom esverdeado à água.

A prova está na natureza moderna

Os pesquisadores observaram algo intrigante nas águas próximas à ilha vulcânica de Iwo Jima, no Japão: elas têm um tom esverdeado devido à presença de ferro oxidado. Lá, cianobactérias prosperam, e os cientistas descobriram que elas possuem um pigmento especial chamado ficoeritrobilina (PEB), que as ajuda a absorver melhor a luz em ambientes com essa coloração.

Isso sugere que, no passado, quando os oceanos eram ricos em ferro, a combinação de oxigênio e partículas de ferro poderia ter deixado a água com um tom verde-pálido. Só depois que o ferro foi totalmente oxidado é que o oxigênio começou a se acumular na atmosfera, levando ao Grande Evento de Oxidação – um marco que permitiu o surgimento de vida mais complexa.

E se os oceanos mudassem de cor de novo?

A cor dos oceanos depende da química da água e dos microrganismos que nela vivem. Se as condições mudassem, poderíamos ter mares de outras cores, como:

  • Roxo: Em um mundo com altos níveis de enxofre e pouco oxigênio, bactérias roxas poderiam dominar.
  • Vermelho: Se houvesse excesso de ferro oxidado ou proliferação de algas vermelhas (como em marés vermelhas).

No futuro distante, conforme o Sol envelhece e fica mais brilhante, a evaporação dos oceanos e o aumento da radiação UV poderiam favorecer bactérias roxas em águas profundas, mudando novamente a cor dos mares.

Nada é para sempre

A história da Terra nos mostra que tudo muda – até a cor dos oceanos! E se um dia encontrarmos um exoplaneta com tons esverdeados, pode ser um ótimo candidato para abrigar vida microbiana semelhante à que já existiu por aqui.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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