Cientistas realizam primeiro transplante de pulmão de porco em humano na China

Renê Fraga
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🫁 Principais destaques:

  • Pela primeira vez, um pulmão de porco geneticamente modificado foi transplantado em um ser humano.
  • O órgão permaneceu funcional por nove dias, mesmo enfrentando sinais de rejeição.
  • O experimento abre caminho para o futuro dos transplantes entre espécies, mas ainda está longe de ser aplicado em pacientes vivos.

Um marco na medicina experimental

Na cidade de Guangzhou, na China, médicos realizaram um feito inédito: transplantaram o pulmão de um porco geneticamente modificado em um homem de 39 anos que já havia sido declarado com morte cerebral.

O objetivo não era salvar a vida do paciente, mas sim entender como o corpo humano reagiria a um órgão de outra espécie, um campo da ciência chamado xenotransplante.

Até hoje, já haviam sido feitos testes semelhantes com rins, corações e até fígados de porcos, mas nunca com pulmões.

Esse detalhe é importante porque os pulmões são órgãos extremamente delicados e expostos ao ar, o que os torna ainda mais vulneráveis à rejeição pelo sistema imunológico humano.

Como foi feito o transplante

O porco usado no experimento passou por modificações genéticas com a ajuda da tecnologia CRISPR.

Três genes do animal foram desativados para reduzir a chance de rejeição, enquanto três genes humanos foram adicionados para tornar o órgão mais compatível.

Em maio de 2024, os médicos removeram o pulmão esquerdo do porco e o implantaram no paciente, que manteve o pulmão direito original.

Antes da cirurgia, o homem recebeu medicamentos imunossupressores para tentar evitar uma rejeição imediata.

O resultado surpreendeu: o pulmão de porco funcionou por nove dias, mantendo-se viável e realizando trocas gasosas, mesmo apresentando sinais de rejeição já nas primeiras 24 horas.

O experimento foi encerrado a pedido da família do paciente.

O que isso significa para o futuro?

Apesar de promissor, o procedimento ainda está longe de ser usado em pessoas vivas.

Especialistas explicam que os pulmões são um dos órgãos mais difíceis de transplantar entre espécies, justamente por sua fragilidade e pelo contato constante com o ambiente externo.

Ainda assim, o estudo trouxe informações valiosas sobre como o sistema imunológico humano reage a esse tipo de transplante.

Os cientistas acreditam que, com novos ajustes genéticos e medicamentos mais eficazes, será possível avançar para testes em pacientes vivos no futuro.

Como disse um dos médicos envolvidos, este não é o fim da jornada, mas sim “um começo significativo” para a ciência dos transplantes.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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