Cientistas revelam como eram os cheiros das múmias egípcias

Renê Fraga
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Já parou para pensar como seria o cheiro de uma múmia? Enquanto as imagens nos mostram muito sobre os mistérios do passado, os aromas desses artefatos históricos são uma experiência sensorial que raramente temos a chance de explorar.

Cecilia Bembibre, especialista em patrimônio sensorial, está à frente de pesquisas que buscam resgatar e preservar odores culturalmente significativos.

Ela explica que, ao observarmos objetos em museus, perdemos informações valiosas que os aromas poderiam revelar, como detalhes sobre sua produção ou função.

Cecilia já participou de projetos incríveis, como a recriação do cheiro da biblioteca da Catedral de São Paulo, em Londres, e do aroma de Amsterdã no século XVII, com seus canais e tílias. Agora, ela mergulhou em um desafio ainda mais fascinante: descobrir como cheiram as múmias egípcias.

Em parceria com a Universidade de Liubliana, a Universidade de Cracóvia e o Museu Egípcio do Cairo, Cecilia e sua equipe estudaram nove corpos mumificados, alguns em exibição e outros guardados, com idades que variam de 3.500 anos até períodos mais recentes.

Mas como é possível cheirar uma múmia sem danificá-la? A equipe usou técnicas não invasivas, como a extração de ar dos sarcófagos e a captura de compostos orgânicos voláteis em tubos especiais.

Oito “farejadores” especializados, incluindo Cecilia, descreveram os aromas em detalhes. E, ao contrário do que muitos imaginariam, os cheiros não eram desagradáveis!

Descrições como “amadeirado”, “floral”, “doce” e “resinoso” surgiram, revelando ingredientes antigos de embalsamamento, como óleos de coníferas, incenso, mirra e canela. Um dos corpos até lembrava chá preto!

Agora, o próximo passo é recriar esses aromas para que visitantes do Museu Egípcio possam experimentá-los. A previsão é que, até 2026, o público possa sentir o cheiro dessas múmias, mergulhando em uma experiência sensorial única.

Além disso, outros museus com coleções egípcias já demonstraram interesse em aplicar métodos semelhantes.

Enquanto isso, Cecilia continua seu trabalho catalogando odores culturalmente significativos, como carros antigos e pratos tradicionais. Afinal, os cheiros são uma janela para o passado, conectando-nos de forma emocional e profunda com a história.

E você, teria coragem de sentir o aroma de uma múmia?

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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