Como as crenças paranormais ajudam pessoas a enfrentar tempos incertos

Renê Fraga
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Você já se perguntou por que tantas pessoas acreditam em fantasmas, astrologia ou poderes psíquicos, mesmo em pleno século XXI? A resposta pode estar na forma como nosso cérebro lida com a incerteza. Um estudo recente revelou que crenças paranormais podem funcionar como um mecanismo de conforto em momentos de insegurança – e isso diz muito sobre a natureza humana.

Por que o Sobrenatural Acalma a Mente?

Imagine viver em um mundo onde tudo parece imprevisível: crises, perdas, mudanças bruscas. Para algumas pessoas, acreditar em forças além da ciência – como espíritos, destino ou energias cósmicas – é uma maneira de trazer ordem ao caos.

Pesquisadores como Andrew Denovan, Ken Drinkwater e Neil Dagnall descobriram que essas crenças criam uma sensação de controle e previsibilidade. Quando a vida parece aleatória, nosso cérebro busca padrões – e histórias sobrenaturais oferecem explicações que a ciência ainda não pode dar.

Por exemplo:

  • Astrologia conecta eventos celestes a experiências pessoais, como se os planetas guiassem nosso destino.
  • Relatos de fantasias podem trazer conforto a quem perdeu um ente querido, sugerindo que a morte não é o fim.
  • Teorias da conspiração dão a ilusão de que há uma “mão oculta” por trás de eventos caóticos.

Ou seja, o paranormal funciona como um atalho emocional para lidar com medos profundos – especialmente o medo do desconhecido.

Quando a Crença Ajuda (e Quando Atrapalha)

Nem todo mundo recorre ao sobrenatural da mesma forma. O estudo mostrou que:
Crenças que reforçam o autocontrole (como astrologia ou manifestação) estão ligadas a menos estresse, pois dão à pessoa uma sensação de poder sobre sua vida.
Crenças que atribuem tudo a forças externas (como destino imutável ou maldições) podem aumentar a angústia, pois fazem a pessoa se sentir impotente.

Ou seja: se você acredita que está sob o comando de uma “energia cósmica maligna”, pode parar de buscar soluções práticas para seus problemas. Mas se enxerga o paranormal como uma ferramenta de autoconhecimento, ele pode até ser benéfico.

O Papel da Cultura e das Redes Sociais

Não é só a psicologia que influencia essas crenças – a cultura e a mídia também têm um papel enorme. Séries de terror, relatos virais de fantasmas e até memes sobre alienígenas reforçam a ideia de que o inexplicável é real.

E as redes sociais pioram (ou melhoram) isso:
📱 Vídeos “sobrenaturais” viralizam fácil, mesmo sem provas.
👥 Grupos de discussão criam comunidades onde as crenças são validadas.

Ou seja: quanto mais as pessoas ao seu redor acreditam, mais “normal” (e real) isso parece.

Equilíbrio Entre Fé e Razão

Os pesquisadores destacam que não devemos ridicularizar quem acredita no paranormal – afinal, essas ideias preenchem necessidades emocionais profundas. Mas também alertam que o pensamento crítico é essencial para não cair em armadilhas perigosas, como curas milagrosas ou teorias sem fundamento.

Conclusão: Todo Mundo Quer Sentido

No fim das contas, seja você cético ou espiritualizado, todos buscamos significado e segurança. O sobrenatural, para muitos, é apenas outra forma de encontrar conforto em um mundo cheio de perguntas sem resposta.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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