Depois de nove meses orbitando a Terra a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), os astronautas Suni Williams e Barry “Butch” Wilmore estão finalmente a caminho de casa.
A dupla, que enfrentou uma estadia não planejada no espaço, agora retorna à Terra em uma cápsula Dragon, da SpaceX. Apesar do alívio, a jornada prolongada no espaço deixou marcas físicas e emocionais que serão estudadas por anos.
E, claro, a volta para casa não será tão simples quanto parece.
Apesar de não baterem o recorde de permanência no espaço – título que pertence ao cosmonauta Valeri Polyakov, com incríveis 437 dias na estação Mir –, Suni e Butch entraram para a história como os astronautas norte-americanos com o voo espacial não planejado mais longo.
A pergunta que fica é: como essa experiência inesperada afetou seus corpos e mentes? A NASA já conhece bem os riscos de longas estadias no espaço, resumidos no acrônimo “RIDGE”: Radiação, Isolamento e confinamento, Distância da Terra, Efeitos da gravidade e Ambientes hostis.
Fisicamente, a dupla enfrentou desafios como perda de densidade óssea, atrofia muscular, má circulação sanguínea e até alterações na visão causadas pela falta de gravidade. Para minimizar esses efeitos, eles contaram com exercícios aeróbicos e de resistência, além de técnicas como compressão com mangas especiais.
No entanto, a exposição prolongada à radiação cósmica é uma preocupação séria, aumentando o risco de problemas de saúde no futuro, como câncer. E, claro, há o cheiro desagradável das cápsulas espaciais, que, pelo menos, foi amenizado pela perda temporária do olfato.
Mas, se os desafios físicos são impressionantes, os psicológicos podem ser ainda mais complexos. Imagine ficar confinado em um espaço limitado, longe da família, sem privacidade e com a incerteza de quando – ou como – você voltaria para casa.
Suni e Butch podem ter enfrentado sentimentos de abandono, desconfiança na tecnologia e até conflitos com a equipe. Apesar de treinados para lidar com situações extremas, até astronautas têm seus limites.
A saudade de casa, a frustração de ver a Terra girando abaixo deles e a ansiedade pelo retorno certamente pesaram.
Agora, de volta ao nosso planeta, eles passarão por uma reabilitação cuidadosa, incluindo fisioterapia para recuperar a força muscular e adaptar-se novamente à gravidade. Até caminhar será um desafio nos primeiros dias.
Mas, além dos cuidados físicos, o apoio psicológico será essencial. Afinal, como muitos astronautas relatam, a volta à Terra pode trazer sentimentos de depressão e ansiedade.
A experiência única de Suni e Butch, no entanto, será valiosa para futuras missões, especialmente as planejadas para Marte. Eles nos lembram que, no espaço, a coragem humana é testada de formas que mal podemos imaginar.
