Imagine um jato de energia tão colossal que ele é duas vezes maior do que a nossa Via Láctea!
Pois é, astrônomos acabaram de encontrar exatamente isso no universo distante, e a descoberta está deixando todo mundo de queixo caído. Esse jato de rádio, que se formou quando o universo tinha menos de 10% da sua idade atual (hoje ele tem 13,8 bilhões de anos), é o maior já detectado no universo primitivo.
E o mais incrível? Ele está nos dando pistas valiosas sobre como os primeiros jatos cósmicos se formaram e como eles moldaram as galáxias ao longo do tempo.
Segundo Anniek Gloudemans, autora principal do estudo e pesquisadora do NOIRLab, da National Science Foundation, esses jatos gigantescos têm sido um mistério para os cientistas. Até agora, eles eram difíceis de detectar, e sua formação era um enigma.
A radiação cósmica de fundo, um “eco” do Big Bang que permeia o universo, costuma atrapalhar a visão desses objetos distantes. Mas, com a ajuda de dois telescópios de rádio superpoderosos, os astrônomos finalmente conseguiram avistar esse jato impressionante, que se estende por pelo menos 200 mil anos-luz.
Para você ter uma ideia, um ano-luz equivale a cerca de 9,46 trilhões de quilômetros!

O jato foi produzido por um quasar, um dos objetos mais brilhantes do universo, que se formou quando o universo tinha menos de 1,2 bilhão de anos. Esse quasar, apesar de ser “pequeno” em termos astronômicos (com uma massa 450 milhões de vezes maior que a do Sol), conseguiu gerar um jato descomunal.
O que desafia a ideia de que apenas buracos negros supermassivos poderiam criar jatos tão poderosos. Além disso, o jato tem características peculiares: ele é assimétrico, com lados de tamanhos e brilhos diferentes, o que sugere que o ambiente ao redor do quasar é extremamente caótico e cheio de surpresas.
A descoberta foi possível graças ao trabalho de uma equipe internacional de astrônomos, que usou o telescópio LOFAR, na Europa, e outros instrumentos no Havaí e no Texas para observar o quasar em diferentes comprimentos de onda. Gloudemans explica que objetos tão extremos como esse são raros, mas sua existência abre portas para novas descobertas.
“Isso mostra o que podemos alcançar ao combinar o poder de múltiplos telescópios”, disse ela. E tem mais: os cientistas acreditam que há outros jatos gigantes esperando para serem encontrados no universo distante. Quem sabe quantos segredos do cosmos ainda estão por ser revelados?
Enquanto isso, outro grupo de astrônomos descobriu um jato ainda maior, chamado Porphyrion, que se estende por incríveis 23 milhões de anos-luz! Mas, ao contrário do jato recém-descoberto, Porphyrion está no universo “próximo”, a 7,5 bilhões de anos-luz da Terra.
A diferença entre os dois jatos mostra como o universo era diferente no passado e como os buracos negros, mesmo menores, já eram capazes de influenciar o cosmos de maneira impressionante.
