E se o Titanic nunca tivesse afundado?

Renê Fraga
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Em 15 de abril de 1912, o mundo parou diante de uma tragédia sem precedentes: o naufrágio do Titanic, o navio mais luxuoso e moderno de sua época.

Mais de 1.500 pessoas perderam a vida nas águas geladas do Atlântico Norte, e a história ficou marcada para sempre. Mas… e se o navio que afundou não fosse realmente o Titanic?

Essa é a base de uma teoria da conspiração que vem ganhando força na internet, especialmente em fóruns e redes sociais como o Reddit.

ideia é ousada e um pouco maluca, mas desperta a curiosidade de muita gente: o Titanic teria sido, na verdade, o Olympic, seu navio irmão, disfarçado para um golpe de seguro milionário.

A rivalidade que começou tudo

No início do século XX, as grandes companhias marítimas competiam ferozmente para ter os maiores e mais luxuosos navios do mundo.

A britânica White Star Line travava uma verdadeira guerra contra a rival Cunard Line, que havia lançado os gigantes Lusitania e Mauretania, famosos pela velocidade.

Para não ficar para trás, a White Star decidiu apostar não na rapidez, mas no tamanho e no luxo. Com o apoio financeiro do magnata J.P. Morgan, nasceram os planos para três navios da chamada classe Olympic: o Olympic, o Titanic e o Britannic.

O primeiro a ser lançado foi o Olympic, que fez sucesso imediato. Mas, em setembro de 1911, durante sua quinta viagem, ele colidiu com o navio de guerra HMS Hawke.

O acidente foi grave: o casco ficou seriamente danificado e a White Star foi considerada culpada, o que significava que o seguro não cobriria os reparos.

Onde começa a teoria da conspiração

É aqui que os conspiracionistas entram em cena. Segundo eles, o Olympic, danificado e caro de consertar, se tornou um problema financeiro. A solução? Trocar a identidade dos navios.

A teoria diz que o navio que todos conheceram como Titanic era, na verdade, o Olympic reformado e maquiado para parecer novo.

O verdadeiro Titanic teria recebido o nome Olympic e continuado a navegar. O plano, segundo essa versão, era afundar o “Titanic” (na verdade, o Olympic) em um acidente “controlado” para receber o valor do seguro.

O problema? O iceberg não estava no roteiro e a tragédia foi muito maior do que qualquer um teria imaginado.

Alguns ainda vão mais longe e afirmam que J.P. Morgan teria usado o desastre para eliminar inimigos políticos e financeiros que estavam a bordo.

As “provas” apontadas pelos defensores da teoria

Os adeptos dessa ideia citam alguns pontos curiosos:

  • O Titanic não teria passado por uma inspeção pública antes da viagem, supostamente para evitar que especialistas percebessem que era o Olympic.
  • Fotos mostram diferenças no número e na posição de escotilhas e janelas entre o Titanic em construção e o navio que partiu em sua viagem inaugural.
  • Há quem diga que o navio no fundo do mar é, na verdade, o Olympic.

O que dizem os especialistas

Historiadores e pesquisadores especializados no Titanic afirmam que a teoria não se sustenta.O escritor Mark Chirnside, por exemplo, analisou o argumento do seguro e descobriu que o Titanic custou cerca de US$ 7,5 milhões, mas estava segurado por apenas US$ 5 milhões.

Ou seja, mesmo que fosse um golpe, a White Star não recuperaria nem o valor total do navio.Além disso, os dois navios tinham diferenças estruturais importantes, como restaurantes exclusivos e reforços no casco, que não poderiam ser alterados sem que centenas de trabalhadores percebessem.

E o detalhe mais decisivo: destroços do Titanic encontrados no fundo do mar trazem o número de identificação 401, que era único do Titanic. O Olympic tinha o número 400.

Mito ou verdade?

A história do Titanic já é, por si só, cheia de drama, luxo e tragédia. A ideia de que tudo teria sido parte de um plano maquiavélico é fascinante para quem ama mistérios, mas as evidências concretas apontam que o navio que afundou era, sim, o verdadeiro Titanic.

Ainda assim, como toda boa teoria da conspiração, essa continua a circular, alimentada por fotos antigas, coincidências e pela eterna pergunta: “E se…?”

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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