Você já ouviu dizer que a fusão nuclear está “a 20 anos de distância” há mais de 50 anos? Essa frase carrega uma mistura de esperança e frustração.
No entanto, algo extraordinário aconteceu em 2022: um experimento no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos EUA, provou que a fusão pode ser uma fonte viável de energia limpa.
Pela primeira vez, uma reação de fusão gerou mais energia do que consumiu, marcando um marco histórico na ciência.
O entusiasmo pela fusão nuclear não para de crescer, impulsionado por bilhões de dólares em investimentos privados nos últimos anos, principalmente nos EUA. Contudo, transformar essa descoberta em uma fonte de energia acessível e segura ainda é um grande desafio.
Para isso, engenheiros precisam superar barreiras tecnológicas imensas, como criar materiais capazes de suportar temperaturas dez vezes mais altas que o núcleo do Sol e desenvolver sistemas que controlem essas reações com precisão.
Os desafios não param por aí. A produção sustentável de combustível para reatores de fusão, especialmente o trítio, é outra questão delicada.
Hoje, o trítio é um subproduto de reatores nucleares convencionais, mas sua oferta é limitada. Novas soluções, como a conversão de lítio em trítio dentro dos próprios reatores de fusão, estão sendo exploradas, mas ainda há um longo caminho pela frente.
Além disso, tecnologias como lasers potentes para confinamento inercial e sistemas de controle para confinamento magnético precisam de avanços revolucionários para se tornarem viáveis em larga escala.
Apesar das dificuldades, a corrida para tornar a fusão nuclear uma realidade está mais viva do que nunca. Startups ao redor do mundo estão desenvolvendo diferentes abordagens para colocar a fusão na rede elétrica nas próximas décadas.
Enquanto isso, o governo dos EUA continua investindo no setor, ainda que especialistas acreditem que mais apoio será necessário. Assim como a parceria entre a NASA e a SpaceX revolucionou a exploração espacial, parcerias público-privadas podem ser a chave para um futuro movido a energia limpa, segura e praticamente ilimitada.
O sonho da fusão não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”.
