Europa quer entrar de vez na corrida espacial e a Suécia pode ser a chave

Renê Fraga
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Principais destaques:

  • A Suécia abriga uma base espacial em meio a florestas e renas, que pode colocar a Europa em pé de igualdade com EUA, China e Rússia.
  • O continente ainda depende fortemente dos americanos para lançamentos e segurança no espaço, mas isso está mudando.
  • O Esrange Space Center, no Círculo Polar Ártico, pode ser o grande trunfo europeu para lançar foguetes e satélites diretamente do continente.

Um espaçoporto escondido entre renas e florestas

Imagine caminhar por uma floresta sueca, cercada por pinheiros, neve e renas, e descobrir que ali, em meio ao silêncio do Ártico, está um dos maiores sonhos da Europa: competir de igual para igual na corrida espacial. Esse lugar existe e se chama Esrange Space Center, localizado em Kiruna, no extremo norte da Suécia.

Por décadas, a Europa contou com os Estados Unidos para garantir sua presença no espaço. Mas, diante de mudanças políticas em Washington e do crescimento acelerado do mercado espacial privado, os europeus perceberam que precisam de independência.

O Esrange surge como uma das apostas mais promissoras para que o continente finalmente tenha lançamentos orbitais feitos em seu próprio território.


O desafio europeu: sair da sombra dos EUA

Atualmente, a única base europeia capaz de lançar foguetes em órbita fica na Guiana Francesa, na América do Sul. Fora isso, a Europa depende de locais como o famoso Cabo Canaveral, nos EUA.

Essa dependência preocupa especialistas, principalmente em tempos de tensões geopolíticas.

Hermann Ludwig Moeller, diretor do Instituto Europeu de Política Espacial, alerta que a Europa precisa dobrar seus investimentos em tecnologia espacial nos próximos anos para não ficar para trás.

Afinal, enquanto os europeus ainda se organizam, países como Índia, China e até a Nova Zelândia já avançam com missões ousadas e indústrias privadas em expansão.

E não é só uma questão de prestígio. Satélites são vitais para a vida moderna: desde a previsão do tempo até o funcionamento do GPS e da internet.

Ter autonomia no espaço significa também ter mais segurança e independência tecnológica.


Esrange: o trunfo escondido no Ártico

O Esrange Space Center não é apenas um laboratório no meio da neve. Ele ocupa 6 km² de área construída e conta com mais de 30 antenas que se comunicam com satélites que orbitam o Polo Norte.

Mas o que realmente impressiona é sua zona de pouso de foguetes, que se estende por 5.200 km² de tundra sueca – uma imensidão de florestas praticamente desabitadas, exceto por criadores indígenas de renas.

Essa vastidão permite que foguetes sejam lançados e recuperados com segurança, sem risco para populações locais.

Como explica Mattias Abrahamsson, diretor de desenvolvimento do centro, a ideia é que estar naquela região seja tão seguro quanto andar por uma rua movimentada em Estocolmo ou Nova York.

Além disso, a localização no extremo norte é estratégica: dali, é mais fácil se comunicar com satélites que orbitam regiões polares, algo cada vez mais importante para pesquisas climáticas e sistemas de comunicação globais.


O futuro da Europa no espaço

A corrida espacial já não é mais exclusiva de governos. Empresas privadas como SpaceX (de Elon Musk) e Blue Origin (de Jeff Bezos) mostraram que há muito dinheiro a ser ganho além da atmosfera. A Europa, com o Esrange e outros projetos em países como Portugal, Espanha, Alemanha e Reino Unido, quer garantir sua fatia nesse mercado bilionário.

Para Ulrika Unell, presidente da divisão de lançamentos orbitais do Esrange, é importante que as pessoas entendam que o espaço não é algo distante. “Quando usamos o celular, quando acessamos dados em tempo real, tudo isso depende de satélites. O espaço já faz parte da vida de todos nós”, lembra.

Se tudo correr como planejado, a Europa pode realizar seu primeiro lançamento orbital a partir do continente já nos próximos anos. E, quem sabe, a pacata floresta sueca se torne palco de um dos capítulos mais importantes da história espacial moderna.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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