Imagine só: há 18 mil anos, em uma Europa gelada e selvagem, grupos humanos praticavam um ritual que hoje nos parece aterrorizante.
Pesquisadores descobriram evidências de que antigos europeus não apenas matavam seus inimigos, mas também os devoravam, extraindo partes específicas do corpo, como o cérebro.
Um estudo recente, publicado na revista Scientific Reports, revelou marcas de cortes e fraturas em ossos encontrados na Caverna de Maszycka, na Polônia, sugerindo que o canibalismo era uma prática comum na época.

Os ossos analisados, datados do período Magdaleniano (entre 23.000 e 11.000 anos atrás), pertenciam a pelo menos dez indivíduos, incluindo seis adultos e quatro crianças.
Usando técnicas avançadas de microscopia 3D, os pesquisadores identificaram marcas de cortes e fraturas em 68% dos ossos, descartando a possibilidade de que os danos tenham sido causados por animais ou acidentes naturais.
O que mais chocou foi a descoberta de que os crânios foram intencionalmente fraturados para a remoção do cérebro, além de evidências de que as orelhas e mandíbulas também foram retiradas.
Mas por que eles faziam isso? Segundo os pesquisadores, a prática provavelmente estava ligada a rituais de guerra e violência entre grupos, e não à fome ou à necessidade de sobrevivência.
Durante o período Magdaleniano, a Europa passava por um aumento populacional, o que pode ter gerado conflitos por territórios e recursos.
A análise dos ossos sugere que as vítimas foram atacadas, subjugadas e depois canibalizadas, com partes mais nutritivas, como cérebro e medula óssea, sendo priorizadas.
Curiosamente, os restos humanos foram encontrados misturados a ossos de animais abatidos, indicando que o canibalismo era parte de um contexto cultural específico.
Outros sítios arqueológicos na Europa, da mesma época, também apresentam evidências de práticas semelhantes, sugerindo que o canibalismo era uma prática disseminada, seja como ritual de guerra ou como parte de cerimônias funerárias.
Uma coisa é certa: nossos ancestrais tinham costumes que, hoje, nos parecem tão fascinantes quanto assustadores.
