Fibra ganha status de nutriente da vez e toma o lugar da proteína nas tendências de saúde

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • A fibra virou obsessão entre jovens, impulsionada pela preocupação com saúde intestinal.
  • Indústria alimentícia acelera lançamentos de produtos ricos em fibras.
  • Especialistas alertam que alimentos naturais seguem sendo a melhor fonte.

A proteína ainda é importante, mas já não reina sozinha. Em 2026, tudo indica que o nutriente da moda será a fibra.

O movimento ganhou força principalmente entre a geração Z, que passou a relacionar saúde do intestino com bem-estar geral, pele mais bonita e até melhor desempenho cognitivo. Nas redes sociais, a prática conhecida como fibermaxxing incentiva as pessoas a aumentar ao máximo o consumo diário de fibras.

Essa mudança de comportamento rapidamente chamou a atenção da indústria. Marcas de alimentos e bebidas passaram a apostar em versões enriquecidas com fibra, enquanto supermercados destacam cada vez mais esse atributo nas embalagens.

Para muitos consumidores, produtos rotulados como ricos em fibras já são automaticamente percebidos como mais saudáveis.

Por que todo mundo começou a falar de fibra

O interesse atual não surgiu do nada. Nos últimos anos, tendências como hidratação funcional e alimentos hiperproteicos dominaram o mercado. Agora, a fibra aparece como o próximo passo natural dessa busca por saúde.

Dados de pesquisas de consumo indicam que mais da metade das pessoas se mostrou disposta a testar a nova tendência após conhecê-la, e uma parcela significativa acredita que alimentos com mais fibras fazem melhor ao organismo.

Outro fator importante é a relação da fibra com hormônios ligados à saciedade. Estudos apontam que ela estimula a produção natural de GLP-1 no corpo, o mesmo associado aos medicamentos modernos para controle de peso.

Isso ajudou a transformar a fibra em um nutriente visto não apenas como regulador do intestino, mas também como aliado do metabolismo.

Empresas e supermercados entram na onda

O crescimento da demanda já é visível nas prateleiras. Redes especializadas e supermercados online registraram aumento expressivo na busca por snacks, barras e suplementos com fibra adicionada.

Grandes companhias do setor alimentício também começaram a reformular produtos tradicionais, incluindo refrigerantes, salgadinhos e bebidas esportivas com apelo voltado à saúde intestinal.

Até redes de fast food sinalizam interesse no tema, indicando que a fibra pode deixar de ser exclusividade de nichos saudáveis e alcançar o consumo de massa.

Paralelamente, marcas próprias de supermercados vêm ganhando espaço ao oferecer opções com mais fibras a preços mais acessíveis, atraindo consumidores que buscam equilíbrio entre saúde e bolso.

Fibra industrializada não substitui comida de verdade

Apesar do entusiasmo, nutricionistas reforçam que nem todo produto enriquecido resolve o problema.

A maioria das pessoas ainda consome muito menos fibra do que o recomendado, e os especialistas defendem que a principal fonte continue sendo frutas, legumes, verduras e grãos integrais.

Esses alimentos, muitas vezes sem rótulo algum, concentram fibras de forma natural e vêm acompanhados de outros nutrientes essenciais.

As diretrizes alimentares mais recentes também reforçam essa ideia ao incentivar o consumo de comida de verdade e reduzir a dependência de ultraprocessados.

A tendência da fibra é vista como positiva, mas o consenso é claro: nenhuma embalagem substitui um prato cheio de vegetais frescos.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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