Fibra óptica com núcleo oco promete internet 45% mais rápida e com perdas mínimas

Renê Fraga
3 min de leitura
Photo by Georgie Devlin on Pexels.com

Principais destaques:

  • Nova fibra óptica com núcleo de ar transmite dados 45% mais rápido que as fibras tradicionais.
  • Consegue perdas de sinal menores que qualquer tecnologia dos últimos 40 anos.
  • Pode revolucionar cabos submarinos, redes de longa distância e até aplicações em lasers de alta potência.

O desafio de melhorar algo que já parecia perfeito

Você já parou para pensar que a internet que usamos hoje depende de cabos de vidro espalhados pelo mundo? Esses cabos, chamados de fibras ópticas, carregam a luz que transporta nossas mensagens, vídeos e chamadas.

O problema é que, apesar de toda a evolução tecnológica, a eficiência dessas fibras não melhorava de forma significativa há cerca de quatro décadas.

O grande obstáculo sempre foi a atenuação, a perda de intensidade da luz ao longo do caminho.

Quanto menor essa perda, mais longe o sinal pode viajar sem precisar de reforço. Isso significa conexões mais rápidas, estáveis e baratas.

Mas até agora, as fibras tradicionais de sílica (vidro) pareciam ter chegado ao limite.


A revolução do núcleo oco

Pesquisadores da Universidade de Southampton, em parceria com a Microsoft, anunciaram um avanço que pode mudar tudo.

Eles desenvolveram uma fibra óptica com núcleo oco, ou seja, em vez de a luz viajar pelo vidro, ela passa por um espaço cheio de ar.

Por que isso é importante? Porque a luz se move mais rápido no ar do que no vidro. O desafio era criar uma estrutura que mantivesse essa vantagem sem aumentar as perdas.

E eles conseguiram: a nova fibra atingiu uma perda recorde de apenas 0,091 dB/km, superando o limite mínimo de 0,14 dB/km das fibras de sílica.

Além disso, ela mantém baixíssimas perdas em uma faixa enorme de frequências (66 THz) e garante uma transmissão 45% mais veloz.


O que isso significa para o futuro da internet

Essa inovação não é apenas um detalhe técnico. Ela pode transformar a forma como a internet funciona em escala global.

Imagine cabos submarinos que conectam continentes transmitindo dados com menos necessidade de amplificação. Isso reduziria custos, aumentaria a velocidade e tornaria as redes mais eficientes.

E não para por aí: a tecnologia também pode ser usada em sensores avançados, lasers de alta potência e até em áreas onde antes era impossível transmitir luz com baixa perda.

Os cientistas acreditam que, com mais pesquisas, será possível reduzir ainda mais a perda — chegando a 0,01 dB/km. Se isso acontecer, estaremos diante de um salto tecnológico comparável ao surgimento da própria fibra óptica.


🔮 Estamos diante de uma descoberta que pode redefinir a forma como nos conectamos. A internet do futuro pode ser não apenas mais rápida, mas também mais estável, acessível e eficiente.

Seguir:
Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
Nenhum comentário