Funcionários que caem no “corporativês” podem ter pior desempenho, aponta estudo

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques:

  • Profissionais que se impressionam com termos como “brainstorm” e “mindset” tendem a decidir pior
  • O uso excessivo de “corporativês” pode esconder falta de clareza e conteúdo
  • Apesar disso, essa linguagem pode aumentar motivação e engajamento no trabalho

Uma pesquisa recente da Cornell University trouxe um alerta curioso para o ambiente corporativo: trabalhadores que valorizam discursos cheios de termos da moda, como “alinhamento estratégico”, “pensar fora da caixa” e “foco no mindset”, podem ter mais dificuldade na hora de tomar decisões práticas.

O estudo, publicado na revista Personality and Individual Differences, analisou como profissionais reagem ao chamado “corporativês”, um tipo de linguagem comum em empresas brasileiras e multinacionais, marcada por expressões em inglês e frases que soam sofisticadas, mas nem sempre são claras.

O que é o “corporativês” no Brasil

No contexto brasileiro, o “corporate bullshit” aparece em frases como:

  • “Vamos fazer um brainstorm para alinhar os próximos passos”
  • “Precisamos ajustar o mindset do time”
  • “Esse projeto precisa de mais ownership”
  • “Vamos dar um follow-up nisso depois”
  • “Temos que sair da zona de conforto e pensar fora da caixa”

Embora essas expressões sejam comuns, muitas vezes elas não explicam de fato o que precisa ser feito. Em vez de clareza, acabam criando uma sensação de complexidade desnecessária.

O pesquisador Shane Littrell desenvolveu até um gerador automático desse tipo de discurso e misturou frases artificiais com falas reais de executivos. Profissionais avaliavam o quanto aquilo parecia “inteligente” ou “estratégico”.

Decisões piores no dia a dia

Os resultados mostram que quem mais se impressiona com esse tipo de linguagem tende a apresentar menor capacidade de análise crítica e reflexão.

Na prática, isso significa escolher soluções menos eficientes em situações comuns do trabalho, como resolver problemas de equipe, priorizar tarefas ou tomar decisões estratégicas.

A pesquisa também criou uma escala para medir o quanto uma pessoa é suscetível ao “corporativês”, mostrando que esse comportamento pode ser identificado e estudado dentro das organizações.

Engajamento alto, mas com um custo

Curiosamente, o estudo também aponta um lado positivo. Profissionais que “compram” esse tipo de discurso costumam enxergar seus líderes como mais inspiradores e visionários.

Eles também relatam maior conexão com a empresa, engajamento com metas e até mais satisfação no trabalho. Ou seja, o “corporativês” pode funcionar como uma ferramenta de motivação, mesmo que prejudique a clareza e a tomada de decisão.

Segundo o pesquisador, isso não tem relação direta com inteligência. Mesmo pessoas altamente qualificadas podem cair nesse tipo de linguagem, especialmente quando ela reforça expectativas, crenças ou o desejo de pertencimento no ambiente corporativo.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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