Gelo é capaz de gerar energia como um material tecnológico

Renê Fraga
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💧 Principais destaques:

  • O gelo pode gerar eletricidade quando é dobrado ou deformado.
  • Essa descoberta ajuda a explicar como os raios se formam nas tempestades.
  • O fenômeno pode abrir caminho para novas tecnologias em ambientes frios.

O gelo é mais poderoso do que parece

Quando pensamos em gelo, geralmente lembramos de algo simples: cubos em um copo, montanhas cobertas de neve ou as imensas calotas polares.

Mas a ciência acaba de revelar que esse material tão comum esconde um segredo fascinante: ele pode gerar eletricidade quando é dobrado ou deformado de forma irregular.

Essa propriedade, chamada de flexoeletricidade, foi confirmada por um estudo internacional liderado pelo Instituto Catalão de Nanociência e Nanotecnologia (ICN2), em parceria com universidades da China e dos Estados Unidos.

O trabalho foi publicado na prestigiada revista Nature Physics e já está dando o que falar no mundo científico.

Segundo os pesquisadores, o gelo não é apenas um material passivo e frio. Ele pode se comportar de maneira semelhante a certos materiais usados em tecnologias avançadas, como sensores e capacitores. Isso significa que, em condições específicas, o gelo pode se tornar uma fonte natural de eletricidade.

O elo entre o gelo e os raios nas tempestades

Um dos pontos mais intrigantes dessa descoberta é a sua ligação com a natureza.

Há muito tempo, os cientistas sabem que os raios surgem quando partículas de gelo dentro das nuvens colidem e acumulam carga elétrica.

Mas havia uma dúvida: como exatamente essas partículas se eletrificam, se o gelo não é piezoelétrico (ou seja, não gera carga apenas por ser comprimido)?

A resposta pode estar justamente na flexoeletricidade.

Quando o gelo se deforma de maneira desigual — como acontece nas colisões turbulentas dentro das nuvens, ele pode gerar eletricidade. Isso explicaria como as nuvens acumulam a energia necessária para liberar um raio.

Em experimentos de laboratório, os cientistas conseguiram medir esse efeito colocando blocos de gelo entre placas metálicas e observando a carga elétrica gerada ao dobrá-los.

Os resultados foram surpreendentemente semelhantes aos fenômenos já observados em tempestades reais.

O futuro: gelo como material tecnológico?

Além de ajudar a entender melhor os mistérios da natureza, essa descoberta pode abrir portas para novas aplicações tecnológicas. Imagine dispositivos eletrônicos que funcionem em ambientes extremamente frios, usando o próprio gelo como material ativo.

Outro detalhe curioso revelado pelo estudo é que, em temperaturas muito baixas (abaixo de -113 °C), o gelo apresenta ainda outra propriedade: uma fina camada em sua superfície pode se tornar ferroelétrica, ou seja, capaz de inverter sua polarização elétrica como se fosse um ímã. Isso significa que o gelo não tem apenas uma, mas duas formas diferentes de gerar eletricidade.

Embora ainda seja cedo para falar em aplicações práticas, os cientistas acreditam que essa descoberta pode inspirar novas linhas de pesquisa em energia e eletrônica, especialmente em regiões geladas do planeta ou até mesmo em missões espaciais, onde o gelo é abundante.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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