Durante centenas de anos, alquimistas sonharam em transformar metais comuns em ouro. Eles passaram a vida inteira buscando a famosa pedra filosofal, que supostamente realizaria esse feito mágico.
Agora, a ciência moderna mostrou que isso é possível – mas de um jeito que certamente não vai deixar ninguém rico!
O experimento que fez o impossível
Entre 2015 e 2018, o Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo, realizou um experimento incrível: ele colidiu átomos de chumbo a 99,999993% da velocidade da luz. O resultado? Por uma fração de segundo, 86 bilhões de núcleos de ouro foram criados!
Parece muito, não é? Mas calma… no total, isso equivale a apenas 29 trilionésimos de um grama – uma quantidade tão minúscula que é impossível de ser vista a olho nu. E, para piorar (ou melhor, para deixar tudo ainda mais fascinante), esse ouro “artificial” desapareceu em menos de um piscar de olhos.
Como isso aconteceu?
O segredo está na transmutação nuclear, um processo em que o núcleo de um átomo se transforma em outro. No LHC, as colisões ultra-rápidas geraram condições extremas, similares às do Big Bang, permitindo que prótons e nêutrons se rearranjassem e formassem átomos de ouro.
Marco van Leeuwen, porta-voz do experimento ALICE (um dos detectores do LHC), explicou: “É impressionante ver que nossos detectores conseguem registrar colisões que produzem milhares de partículas, mas também são sensíveis o suficiente para capturar eventos raros, como essa transmutação nuclear.”
E agora, vamos todos virar alquimistas?
Infelizmente, não. Apesar de ser um feito incrível para a física, esse método não é viável para produzir ouro em larga escala. A energia necessária é colossal, e o resultado é efêmero.
Mas a descoberta ajuda os cientistas a entenderem melhor como os elementos se formam no universo – inclusive o ouro, que pode ter surgido em colisões de estrelas de nêutrons!
Ou seja: a alquimia do século XXI não vai encher nossos bolsos, mas certamente expandiu nosso conhecimento sobre os segredos do cosmos. E isso, para os curiosos de plantão, já vale ouro!
