Humanos conseguem detectar objetos enterrados sem tocá-los diretamente

Renê Fraga
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Principais destaques

  • Pesquisadores descobriram que humanos têm uma habilidade sensorial chamada “toque remoto”.
  • A capacidade permite identificar objetos enterrados apenas pelos movimentos da areia.
  • Em testes, pessoas superaram robôs na tarefa de localizar itens escondidos.

Um estudo recente revelou algo curioso e pouco conhecido sobre o corpo humano: somos capazes de perceber objetos enterrados sem vê-los ou tocá-los diretamente. A habilidade, chamada de toque remoto, sempre foi associada a aves costeiras e outros animais que procuram alimento sob a areia, mas agora ficou claro que nós também a possuímos.

A descoberta ajuda a explicar por que muitas pessoas conseguem “sentir” quando há algo enterrado na areia da praia apenas ao movimentar as mãos, mesmo sem encostar no objeto em si. O segredo está nas sutis alterações que o item provoca ao redor, deslocando os grãos de areia de forma quase imperceptível.

Como o estudo foi realizado

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Queen Mary University of London. Doze voluntários participaram do experimento, no qual precisavam identificar se um pequeno cubo estava escondido dentro de um recipiente cheio de areia.

Sem enxergar o objeto, os participantes apenas movimentavam os dedos entre os grãos. Mesmo assim, a maioria conseguiu perceber a presença do cubo ao notar pequenas mudanças na resistência e no deslocamento da areia ao redor dele.

Humanos contra robôs

Os pesquisadores decidiram comparar o desempenho humano com o de um dispositivo robótico projetado para a mesma função. O resultado foi surpreendente: os voluntários acertaram em média 70,7% das tentativas, enquanto o robô alcançou apenas 40% de precisão.

Segundo os cientistas, isso mostra que o sistema sensorial humano ainda é extremamente sofisticado, especialmente em ambientes complexos como areia ou outros materiais granulares.

O que essa descoberta pode mudar

Embora encontrar objetos enterrados com as mãos não seja algo essencial no dia a dia, o estudo abre portas importantes para o futuro. Os pesquisadores acreditam que compreender melhor essa habilidade pode ajudar no desenvolvimento de robôs mais sensíveis e precisos.

Essas tecnologias poderiam ser usadas, por exemplo, para localizar artefatos arqueológicos sem danificá-los ou explorar terrenos difíceis como o solo de Marte ou o fundo do oceano, onde o toque direto nem sempre é possível.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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