✨ Principais destaques:
- Os primeiros animais a desenvolver mandíbulas foram os peixes — e isso mudou para sempre a história da vida na Terra.
- Um estudo da Universidade de Michigan revelou que os peixes de nadadeiras lobadas tiveram uma explosão de diversidade há mais de 350 milhões de anos.
- Hoje, restam apenas oito espécies desse grupo, enquanto os peixes de nadadeiras raiadas dominam os oceanos e rios com mais de 33 mil espécies.
Se você está lendo este texto, pode agradecer a um peixe.
Eles os primeiros animais a desenvolver mandíbulas, uma inovação que não só permitiu novas formas de alimentação, mas também abriu caminho para a evolução de todos os vertebrados, incluindo nós, humanos.
Um estudo recente da Universidade de Michigan trouxe novas revelações sobre como essa transformação aconteceu.
A pesquisa mostrou que um grupo hoje quase esquecido, os peixes de nadadeiras lobadas, foi o grande protagonista de uma revolução evolutiva entre 359 e 423 milhões de anos atrás.
A era em que os peixes dominaram a Terra
Durante o período Devoniano, conhecido como a “Era dos Peixes”, esses animais exibiam uma impressionante variedade de mandíbulas.
Enquanto os peixes de nadadeiras raiadas, grupo que hoje inclui desde dourados até cavalos-marinhos, evoluíam lentamente, os de nadadeiras lobadas experimentavam mudanças rápidas e ousadas em suas estruturas de alimentação.
As mandíbulas não serviam apenas para morder. Elas eram ferramentas multifuncionais: ajudavam a quebrar conchas duras, cavar no fundo dos rios e até proteger os filhotes, que alguns peixes carregavam na boca. Essa versatilidade foi essencial para que eles ocupassem diferentes nichos ecológicos.
Mas o que surpreende é que, apesar desse início explosivo, a evolução desses peixes acabou desacelerando. Hoje, restam apenas oito espécies conhecidas, entre elas o famoso celacanto, considerado um “fóssil vivo” e redescoberto em 1938, após se acreditar que estava extinto.
O poder da mordida: quando a mandíbula virou arma
Para entender essa história, os cientistas analisaram fósseis de 86 espécies de peixes antigos, usando modelos 3D criados a partir de tomografias computadorizadas.
O que descobriram foi fascinante: os peixes de nadadeiras lobadas desenvolveram mandíbulas mais grossas e musculosas, capazes de exercer uma força de mordida impressionante.
Isso lhes permitia se alimentar de presas duras, como moluscos e crustáceos primitivos. Em outras palavras, a forma da mandíbula estava diretamente ligada ao tipo de alimento disponível no ambiente.
Essa adaptação rápida é um exemplo clássico de radiação adaptativa, quando uma espécie se diversifica rapidamente para explorar novas oportunidades.
O que os fósseis ainda têm a nos contar
Segundo a pesquisadora Emily Troyer, que liderou o estudo, sem os fósseis seria impossível perceber esse “papel invertido” na evolução dos peixes.
Hoje, os de nadadeiras raiadas são os grandes dominadores dos mares, mas no passado foram os de nadadeiras lobadas que ditaram o ritmo da inovação.
O trabalho também mostra como cada grupo de peixes viveu seu próprio “momento evolutivo”. Alguns se diversificaram rapidamente e depois permaneceram quase inalterados; outros só mudaram quando começaram a explorar a vida fora da água.
Tudo isso aconteceu centenas de milhões de anos antes dos dinossauros surgirem. E a lição que fica é clara: a história da vida é cheia de reviravoltas, e até mesmo uma simples mandíbula pode mudar o destino de todo um planeta.
