NASA revela imagens inéditas de um cometa vindo de outro sistema estelar, capturadas de Marte

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • A NASA divulgou imagens inéditas do cometa interestelar 3I/Atlas capturadas diretamente de Marte.
  • O cometa, com idade estimada em mais de 7 bilhões de anos, é apenas o terceiro objeto confirmado vindo de fora do Sistema Solar.
  • As observações continuam até 2026, com expectativa de novas descobertas sobre sua composição e origem.

Prepare-se para uma verdadeira viagem cósmica: a NASA acaba de divulgar imagens impressionantes do cometa 3I/Atlas, um visitante interestelar que cruzou o Sistema Solar e foi registrado por sondas em Marte.

As fotografias, reveladas pela agência nesta quarta-feira (19), foram obtidas pela Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) em outubro, quando o cometa passou a cerca de 30 milhões de quilômetros do Planeta Vermelho.

Durante uma coletiva no Centro de Voos Espaciais Goddard, em Maryland, os cientistas apresentaram o registro mais próximo já feito de um corpo vindo de outro sistema estelar.

E o feito não é pequeno: apenas dois objetos parecidos, o famoso ‘Oumuamua (2017) e o 2I/Borisov (2019), haviam sido confirmados antes.


Um visitante ancestral do espaço profundo

O cometa 3I/Atlas foi descoberto no dia 1º de julho pelo telescópio ATLAS, no Chile. Segundo os primeiros estudos, ele pode ter mais de 7 bilhões de anos, o que o tornaria mais antigo que o próprio Sistema Solar!

Cientistas acreditam que ele tenha se formado no denso disco de poeira e gás existente nas profundezas da Via Láctea, em uma região muito além da nossa vizinhança cósmica.

As imagens feitas pela câmera HiRISE da MRO mostram o cometa como uma nuvem difusa de poeira e gelo, chamada coma, com uma resolução impressionante de 30 quilômetros por pixel.

Shane Byrne, pesquisador principal do HiRISE na Universidade do Arizona, destacou que cada nova observação de um objeto interestelar “é uma oportunidade única de aprendizado”, já que são fenômenos extremamente raros de serem registrados.

Enquanto isso, outra sonda marciana, a MAVEN, também observou o cometa em luz ultravioleta, fornecendo dados preciosos sobre sua composição química — e aumentando a empolgação dos cientistas.


Mistérios e teorias sobre o 3I/Atlas

A aparição do 3I/Atlas despertou muita curiosidade na comunidade científica e nas redes sociais.

O cometa demonstrou comportamentos um tanto incomuns, como aceleração não gravitacional e uma alta concentração de níquel em sua coma, o que levou alguns a especularem até sobre possíveis origens artificiais.

O astrofísico Avi Loeb, de Harvard, chegou a levantar essa hipótese, mas a NASA reforçou que todos os efeitos observados podem ser explicados naturalmente.

A chamada aceleração extra, segundo os cientistas, ocorre quando o gelo interno se transforma em gás, liberando jatos que empurram o cometa, numa espécie de propulsão cósmica.


A jornada continua até 2026

O cometa atingiu seu ponto mais próximo do Sol (periélio) em 29 de outubro, a cerca de 203 milhões de quilômetros de distância. Ele deve passar “perto” da Terra — a cerca de 270 milhões de quilômetros — no dia 19 de dezembro, sem qualquer risco para o planeta.

Depois dessa visita, o 3I/Atlas continuará sua viagem interestelar, passando próximo a Júpiter em março de 2026, antes de deixar definitivamente o Sistema Solar.
Além das sondas em Marte, telescópios como o Hubble, o James Webb, e as espaçonaves Psyche e Lucy, além do observatório SOHO, também capturaram o cometa, criando um mosaico inédito de observações interplanetárias.

É a primeira vez que tantas missões heliofísicas se unem para observar um objeto de origem interestelar — um verdadeiro marco para a astronomia moderna e uma lembrança poderosa de que o espaço ainda guarda segredos capazes de nos deixar maravilhados.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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