Principais destaques:
- Há indícios de que os neandertais realizavam rituais, como enterramentos e uso simbólico de ossos e adornos.
- Pesquisadores discordam se essas práticas podem ser chamadas de religião no sentido moderno.
- Diferenças no cérebro dos neandertais sugerem experiências espirituais distintas das humanas atuais.
Os neandertais, que viveram entre cerca de 400 mil e 34 mil anos atrás, continuam despertando curiosidade não apenas por sua força física e habilidades de sobrevivência, mas também por um mistério mais profundo: eles tinham crenças religiosas?
A resposta não é simples e divide arqueólogos, antropólogos e neurocientistas.
Indícios de rituais e símbolos
Escavações arqueológicas mostram que os neandertais enterravam seus mortos, algo que muitos associam a rituais.
Além disso, há registros de crânios de animais organizados em cavernas, ossos de urso com marcas simbólicas, arte rupestre e até o uso de penas e garras de águias, possivelmente como adornos.
Em alguns sítios, há evidências de canibalismo, o que levanta a hipótese de práticas ritualísticas, e não apenas de sobrevivência.
Para alguns estudiosos, esse conjunto de comportamentos indica algo próximo do que hoje chamamos de espiritualidade, talvez semelhante a formas antigas de xamanismo, com forte ligação à natureza e aos animais.
Religião como a conhecemos hoje?
Outros pesquisadores defendem cautela. Eles argumentam que religião, no sentido moderno, envolve sistemas complexos de crenças, divindades bem definidas e teologias organizadas.
Nesse ponto, os neandertais provavelmente não se encaixariam. A capacidade de compreender estados mentais complexos e criar narrativas abstratas pode não ter sido tão desenvolvida quanto a do Homo sapiens atual.
Ainda assim, isso não significa ausência total de experiências espirituais. Sensações de mistério, magia e conexão profunda com o ambiente podem ter feito parte do cotidiano desses grupos, mesmo sem uma religião estruturada.
O papel do cérebro nessa discussão
A neurociência também entra no debate. Regiões do cérebro associadas à imaginação, memória e construção de mundos simbólicos, como o precuneus, são importantes para o pensamento religioso humano.
Evidências indicam que essa área não era tão expandida nos neandertais, o que sugere limitações para criar conceitos abstratos como deuses ou mundos sobrenaturais complexos.
Por outro lado, isso não elimina a possibilidade de rituais com significado social ou emocional. Enterrar os mortos, por exemplo, pode ter sido tanto uma prática prática quanto um gesto carregado de sentido para o grupo.
No fim, a ciência ainda não consegue afirmar com certeza se os neandertais tinham religião. O que parece cada vez mais claro é que sua relação com o mundo era mais rica e simbólica do que se imaginava décadas atrás.



