Novo material pode criar robôs semelhantes aos Transformers

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais Destaques:

  • Cientistas da Coreia do Sul desenvolveram um material que combina rigidez e flexibilidade em uma única estrutura.
  • A tecnologia pode permitir robôs que se dobram, desdobram e mudam de forma, lembrando os famosos Transformers.
  • As aplicações vão desde robótica avançada até painéis solares espaciais e abrigos de emergência dobráveis.

A ideia de robôs que mudam de forma, como nos filmes de ficção científica, pode estar mais próxima da realidade do que imaginamos.

Pesquisadores da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul, apresentaram um novo tipo de material compósito que pode transformar a forma como construímos robôs e dispositivos tecnológicos.

Esse material é um polímero reforçado com fibras (FRP), mas com um detalhe revolucionário: ele consegue ser rígido em algumas partes e extremamente flexível em outras, tudo dentro de uma única peça.

O que significa que, em vez de precisar juntar diferentes materiais para criar movimentos complexos, os engenheiros podem projetar estruturas que já nascem com essa “dupla personalidade”.


Como funciona esse material “camaleão”

O segredo está em um processo chamado dispensação multi-resina. Nele, os cientistas aplicam dois tipos de resina epóxi em pontos específicos: uma mais rígida e outra mais flexível.

O resultado é um material único, mas com propriedades diferentes em cada região.Por exemplo, em áreas que precisam de força, o compósito atinge uma rigidez impressionante de 6,95 GPa.

Já nas partes que precisam dobrar e se movimentar, a rigidez cai para apenas 0,66 GPa. Essa diferença gigantesca permite criar estruturas que se dobram como origami, mas sem perder resistência.

Um dos protótipos criados foi um cilindro triangulado inspirado em origami, que consegue se compactar e se expandir de forma controlada.

Imagine um robô que pode se encolher para passar por espaços estreitos e depois se expandir para realizar tarefas maiores — exatamente como vemos em filmes futuristas.


Aplicações que vão muito além da robótica

Embora a primeira aplicação óbvia seja em robôs mais versáteis e adaptáveis, as possibilidades são muito mais amplas.

  • Espaço: painéis solares que podem ser dobrados para transporte e depois se abrirem sozinhos no espaço.
  • Tecnologia do dia a dia: eletrônicos dobráveis mais resistentes e funcionais.
  • Situações de emergência: abrigos portáteis que podem ser transportados facilmente e montados em segundos em áreas de desastre.
  • Veículos do futuro: rodas e componentes que se adaptam automaticamente ao terreno, economizando energia e aumentando a mobilidade.

Essa versatilidade pode mudar completamente a forma como pensamos em design de máquinas, dispositivos e até construções.


Um passo em direção a robôs mais “humanos”

O mais fascinante é que essa tecnologia aproxima os robôs de algo que vemos na natureza: a capacidade de alternar entre movimentos rígidos e suaves.

O que abre caminho para braços robóticos mais delicados, capazes de manipular objetos frágeis, ou até mesmo robôs humanoides que se movem de forma mais natural.

Além disso, a pesquisa desperta grande interesse comercial. Empresas de tecnologia e fabricantes já estão de olho na possibilidade de integrar esse material em novos produtos.

Afinal, quem não gostaria de ter dispositivos mais leves, resistentes e adaptáveis?

Estamos diante de um avanço que pode marcar o início de uma nova era na robótica e na engenharia de materiais.

E, quem sabe, os Transformers que tanto nos fascinaram na ficção estejam prestes a ganhar uma versão real.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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