✨ Destaques rápidos:
- Asteroides podem ser desviados, mas escolher o ponto errado pode colocá-los novamente em rota de colisão com a Terra.
- O chamado “buraco de fechadura gravitacional” é uma armadilha cósmica que pode transformar uma defesa em um novo perigo.
- Cientistas já criam mapas de probabilidade que indicam os locais mais seguros para impactar a superfície de um asteroide.
Cuidado com a armadilha invisível: o “buraco de fechadura gravitacional”
Desviar um asteroide parece coisa de filme de ficção científica, mas essa já é uma missão espacial real.
Em 2022, a NASA realizou o experimento DART, atingindo o asteroide Dimorphos para provar que seria possível mudar a trajetória de um corpo celeste perigoso.
O impacto foi bem-sucedido e demonstrou que a humanidade tem, pelo menos, uma ferramenta contra ameaças vindas do espaço.
Mas a situação não é tão simples assim.
Segundo uma nova pesquisa apresentada no encontro EPSC-DPS2025, em Helsinque, escolher o ponto errado para acertar um asteroide pode acabar gerando o efeito oposto: colocar o corpo celeste em um caminho de retorno à Terra por meio de um curioso fenômeno chamado buraco de fechadura gravitacional.
O que é o “buraco de fechadura gravitacional”?
Imagine que o espaço seja cheio de portas invisíveis. Algumas dessas “portas” são regiões minúsculas onde a gravidade de um planeta pode alterar a trajetória de um asteroide.
Se ele passar justamente por uma dessas zonas após ser desviado, pode acabar retornando anos ou séculos depois em rota de colisão com a Terra.
É como se tivéssemos empurrado a ameaça para dentro de um atalho direto contra nós mesmos.
O pesquisador Rahil Makadia, da NASA, compara o risco a uma segunda chance nada agradável: “mesmo que afastemos um asteroide da Terra, não podemos permitir que ele cruze um desses buracos de fechadura, ou estaremos diante do mesmo perigo mais adiante”.
Como a ciência tenta resolver esse risco
Para evitar esse problema, a equipe de Makadia desenvolveu uma técnica para criar mapas de probabilidade: representações da superfície de um asteroide que mostram quais pontos são mais seguros para receber o impacto de uma espaçonave.
Esses mapas levam em conta fatores como:
- o formato irregular do asteroide;
- sua rotação;
- montanhas, crateras e vales em sua superfície;
- e até sua massa.
Com essas informações, os cientistas conseguem calcular se um impacto em determinado local aumentaria ou diminuiria as chances do asteroide cruzar um buraco gravitacional perigoso.
A boa notícia é que, mesmo sem enviar missões tripuladas, parte dessa análise pode ser feita a partir de observações feitas diretamente da Terra, embora, claro, missões de encontro direto com o asteroide gerem resultados muito mais precisos.
A defesa da Terra a longo prazo
A missão europeia Hera, prevista para chegar ao sistema Didymos–Dimorphos em 2026, ajudará a confirmar e refinar essa técnica.
O objetivo é que, no futuro, possamos não apenas desviar asteroides perigosos, mas garantir que eles não retornem por um caminho ainda mais ameaçador.
Em outras palavras, salvar a Terra de um impacto cósmico não é apenas questão de força bruta, mas também de estratégia e precisão cirúrgica.
Encontrar o ponto certo para “cutucar” um asteroide pode ser a diferença entre proteção e desastre.
