🌎 Principais destaques:
- Cientistas descobriram que o planeta tem um limite seguro de armazenamento de carbono no subsolo: 1.460 gigatoneladas de CO₂.
- Esse limite é muito menor do que se imaginava e pode ser atingido antes do ano 2200 se não reduzirmos emissões rapidamente.
- Mesmo usando todo esse potencial, a redução máxima da temperatura global seria de apenas 0,7 °C.
O que é o armazenamento geológico de carbono?
Você já ouviu falar em “enterrar carbono”? Essa é uma das estratégias mais discutidas para frear as mudanças climáticas.
A ideia é simples na teoria: capturar o dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera ou de indústrias poluentes e injetá-lo em formações rochosas profundas, onde ficaria preso por séculos ou até milênios.
Esse processo é chamado de CCS (Carbon Capture and Storage) e já existe em pequena escala. Hoje, o mundo consegue armazenar cerca de 49 milhões de toneladas de CO₂ por ano, um número ínfimo perto do que seria necessário para realmente frear o aquecimento global.
Até agora, acreditava-se que o planeta teria espaço quase “infinito” para esse tipo de armazenamento, com estimativas que chegavam a 40.000 gigatoneladas.
Mas um novo estudo publicado na revista Nature acaba de jogar um balde de água fria nessa ideia.
O planeta tem um limite e ele é menor do que pensávamos
Pesquisadores analisaram os riscos geológicos, ambientais e sociais do armazenamento subterrâneo e chegaram a um número surpreendente: 1.460 gigatoneladas de CO₂ é o limite seguro que a Terra pode suportar.
Esse valor é dez vezes menor do que as estimativas mais otimistas. E o mais preocupante: se continuarmos emitindo gases de efeito estufa no ritmo atual, podemos ultrapassar esse limite antes do ano 2200.
Além disso, mesmo que usássemos todo esse potencial apenas para remover carbono da atmosfera, o efeito seria limitado: a temperatura global cairia no máximo 0,7 °C. Ou seja, não dá para apostar todas as fichas nessa solução.
Riscos, dilemas e escolhas para o futuro
Armazenar carbono no subsolo não é tão simples quanto parece. Existem riscos de vazamentos, que poderiam devolver o CO₂ à atmosfera ou até contaminar aquíferos de água potável. Há também o perigo de ativar falhas geológicas e provocar pequenos terremotos.
Outro ponto delicado é a justiça climática: países ricos, que mais poluíram historicamente, também são os que possuem maior capacidade de armazenamento subterrâneo.
Já nações em desenvolvimento, como Brasil e Indonésia, têm grandes reservas, mas pouca responsabilidade histórica pelas emissões. O que pode gerar disputas políticas e econômicas no futuro.
O estudo alerta que o armazenamento geológico deve ser tratado como um recurso limitado e intergeracional, algo que precisa ser usado com muito cuidado, pensando não só em nós, mas também nas próximas dez gerações.
O que isso significa para nós?
A mensagem é clara: não existe solução mágica. O armazenamento de carbono pode ajudar, mas não substitui a necessidade urgente de reduzir emissões agora.
Se continuarmos apostando apenas em “enterrar carbono”, corremos o risco de gastar esse recurso precioso e ainda assim não conseguir reverter o aquecimento global.
Em outras palavras: o planeta nos deu um “cofre subterrâneo” para guardar parte do carbono que emitimos, mas esse cofre tem espaço limitado. E cabe a nós decidir como e quando usá-lo.
