O que aconteceu na Escola Base em 1994?

Renê Fraga
3 min de leitura

O Caso Escola Base é um dos mais notórios da história do jornalismo brasileiro. 

Uma série de erros da polícia e da imprensa fez com que uma creche no bairro da Aclimação em São Paulo se tornasse um exemplo de como é possível acabar com a vida a partir de situações e pressupostos não resolvidos.

Em março de 1994, os proprietários da Escola Base Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada, a professora Paula Milhim e seu marido, o motorista Maurício Alvarenga, foram injustamente acusados ​​de abusar sexualmente de crianças de quatro anos. 

Caso de histeria coletiva

Também houve reclamações de que os quatro acusados usavam o horário escolar para levar os alunos a motéis onde seriam filmados e fotografados nus.

Duas mães relataram um possível caso de abuso de seus filhos na Escola base depois que um laudo forense mostrou positivamente que uma das crianças havia sido abusada sexualmente.

A partir daí, inicia-se uma histeria coletiva que poderia ter sido detida pela imprensa ou pela polícia, mas ambos só colocaram lenha na fogueira.

Com o circo montado, a escola foi devastada, os acusados ​​foram torturados, ameaçados e suas vidas destruídas.  

Mas quando a verdade veio à tona, o estrago já estava feito. O exame foi repetido algum tempo depois pelos mesmos especialistas, e deu negativo que o “abuso” era na verdade uma consequência da constipação da criança.

A reputação da Escola Base de Educação Infantil já estava arruinada, embora muitos pais defendessem os então proprietários.

Escola Base – Um repórter enfrenta o passado

Escola Base - Um repórter enfrenta o passado | Original Globoplay

Agora, 28 anos depois, o Globoplay lança o documentário “Escola Base – Um repórter enfrenta o passado” com foco em Valmir Salaro, o jornalista da Globo que falou sobre o caso pela primeira vez em um jornal da TV Globo.

Ao longo do documentário, Salaro entende que sua postura não foi a correta do ponto de vista jornalístico: o lado do réu nunca foi ouvido e foi noticiado descuidadamente em rede nacional. 

Alguns outros repórteres são citados, mas por ter sido pioneiro no caso, a “culpa” da imprensa recai sobre seus ombros.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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