O que é a “Doutrina Donroe”, nova estratégia de Trump para ampliar o controle dos EUA na América Latina

Renê Fraga
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Principais destaques:

  • Donald Trump anunciou a chamada “Doutrina Donroe”, uma releitura agressiva da histórica Doutrina Monroe.
  • A proposta defende domínio explícito dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental e confronto direto com China e Rússia na região.
  • A captura de Nicolás Maduro e a promessa de administrar a Venezuela elevaram a tensão diplomática internacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar impacto global ao apresentar publicamente a chamada “Doutrina Donroe”.

O anúncio foi feito durante uma coletiva em Mar-a-Lago, poucas horas após a confirmação da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Segundo Trump, a nova doutrina substitui e supera a tradicional Doutrina Monroe, que por mais de dois séculos orientou a política dos EUA para a América Latina.

De forma direta, Trump declarou que o domínio americano no Hemisfério Ocidental não será mais questionado, sinalizando uma guinada ainda mais dura na política externa dos Estados Unidos para a região.

Uma releitura dura da Doutrina Monroe

A chamada Doutrina Donroe aparece como pilar da Estratégia de Segurança Nacional divulgada no fim de 2025.

O documento afirma que Washington irá reafirmar e aplicar os princípios da Doutrina Monroe para restaurar a preeminência dos EUA nas Américas.

Na prática, isso significa barrar a influência de potências consideradas rivais, como China e Rússia, impedindo que esses países controlem ativos estratégicos ou posicionem forças militares no continente.

O plano inclui o chamado “Corolário Trump”, que deixa explícita a disposição do governo americano de intervir para manter sua liderança regional, mesmo que isso envolva ações militares diretas.

Venezuela no centro da nova estratégia

A operação contra a Venezuela representa a intervenção militar mais direta dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989.

A administração Trump passou a classificar o regime de Maduro como uma organização narcoterrorista, apesar de relatórios de inteligência indicarem poucas provas concretas das ligações citadas com o grupo criminoso Tren de Aragua.

Nos bastidores, o secretário de Estado Marco Rubio é apontado como um dos principais articuladores da política para a Venezuela.

Defensor histórico de uma linha dura contra o chavismo, Rubio teria influenciado a decisão de abandonar negociações diplomáticas e avançar para uma intervenção direta.

Reações internacionais e risco de escalada

A resposta internacional foi imediata. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a ação como uma afronta grave à soberania venezuelana.

México e Colômbia pediram desescalada urgente, enquanto a China declarou estar profundamente chocada com o uso da força contra um Estado soberano.

Dentro da Venezuela, a líder da oposição María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, afirmou que o país vive um momento decisivo e defendeu a posse de Edmundo González Urrutia.

Trump, por sua vez, afirmou que os EUA vão administrar o país até que uma transição considerada segura seja realizada, sem detalhar como isso ocorrerá.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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