O que é “jamming”? A técnica russa que ameaça voos na Europa

Renê Fraga
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Principais destaques:

  • Avião da presidente da Comissão Europeia perdeu o sinal de GPS em pleno voo.
  • OTAN acusa a Rússia de usar “ameaças híbridas” para desestabilizar a Europa.
  • Especialistas alertam: todo o continente pode estar sob risco de ataques tecnológicos.

O voo que chamou a atenção da Europa

No último domingo, um episódio digno de filme de suspense deixou autoridades europeias em alerta.

O avião que transportava Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, perdeu temporariamente a navegação por GPS enquanto sobrevoava o espaço aéreo da Bulgária.

Apesar do susto, a aeronave conseguiu pousar em segurança. Mas a suspeita levantada pelas autoridades búlgaras é preocupante: tudo indica que a interferência foi causada por ações da Rússia.

Dois dias depois, em Luxemburgo, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, confirmou que a aliança militar está trabalhando “dia e noite” para combater esse tipo de ataque eletrônico.

Segundo ele, a situação é levada muito a sério, já que poderia ter consequências desastrosas para voos civis.


O que é o “jamming” e por que ele é tão perigoso?

O que aconteceu com o avião de von der Leyen não foi um caso isolado. Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, a Europa tem registrado dezenas de episódios semelhantes.

A técnica usada é chamada de jamming: basicamente, um sinal de rádio muito forte é emitido para “atropelar” o GPS, impedindo que o sistema funcione corretamente.

Existe também o spoofing, que é ainda mais sofisticado: ele engana o receptor, fazendo-o acreditar que está em outro lugar ou até em outro momento no tempo.

Essas práticas fazem parte do que os especialistas chamam de ameaças híbridas: ações que não envolvem tanques ou mísseis, mas que podem causar caos e insegurança.

Entre os exemplos já atribuídos à Rússia estão o corte de cabos submarinos no Mar Báltico, ataques cibernéticos a serviços de saúde e até planos de assassinato contra figuras importantes da indústria europeia.


“Todos estamos na linha de frente”

O alerta de Rutte foi direto: não importa se você está em Londres, Luxemburgo ou Madri, hoje, toda a Europa está sob risco.

Com os avanços da tecnologia militar russa, um míssil poderia atingir qualquer capital europeia em questão de minutos.

O mais curioso (e assustador) é que, para alguns governos, como o da Bulgária, episódios como o do avião de von der Leyen já são vistos quase como “rotina”.

O primeiro-ministro búlgaro chegou a dizer que não abrirá investigação, porque “essas coisas acontecem todos os dias” devido à guerra em andamento.

Essa normalização do risco mostra como a guerra deixou de ser apenas um conflito localizado e passou a ter efeitos diretos no cotidiano de milhões de pessoas, até mesmo em algo tão comum quanto um voo comercial.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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