Origem da vida: novo estudo revela como moléculas começaram a se conectar

Renê Fraga
3 min de leitura

🦠 Principais destaques:

  • Pesquisadores conseguiram reproduzir em laboratório uma reação química que pode ter dado início ao código genético.
  • O estudo conecta duas hipóteses clássicas sobre a origem da vida: o “mundo do RNA” e o “mundo dos tioésteres”.
  • Descoberta abre caminho para recriar experimentalmente as primeiras “células” capazes de evoluir.

O enigma da vida: como tudo começou?

Um dos maiores mistérios da biologia sempre foi entender como moléculas tão diferentes, o RNA e os aminoácidos, se uniram para dar origem ao código genético que sustenta toda a vida na Terra.

De um lado, temos as proteínas, formadas por cadeias de aminoácidos, responsáveis por praticamente todas as funções vitais nos organismos.

Do outro, o RNA, que atua como mensageiro e tradutor das instruções genéticas. Mas como essas duas peças fundamentais começaram a “conversar” há mais de 4 bilhões de anos?

Essa pergunta intrigou gerações de cientistas. Agora, uma equipe liderada pelo professor Matthew Powner, da University College London, conseguiu dar um passo decisivo para responder a essa questão.


A química que pode ter acendido a centelha da vida

Tentativas anteriores de reproduzir essa ligação em laboratório sempre falharam: os aminoácidos reagiam entre si em vez de se conectar ao RNA, e as condições aquosas destruíam as reações.

A inovação da equipe de Powner foi usar um grupo químico chamado tioéster, uma ligação de alta energia que ainda hoje é usada pelas células modernas.

Ao prender aminoácidos a esses tioésteres, os cientistas observaram algo surpreendente: eles se ligaram espontaneamente ao RNA, exatamente no ponto certo para iniciar a síntese de proteínas.

Mais impressionante ainda: a própria estrutura natural do RNA pareceu “guiar” os aminoácidos para o local correto, sem precisar de enzimas complexas.

O que sugere que, em ambientes primitivos como lagos rasos e fontes termais ricas em nutrientes, semelhantes às do Parque Nacional de Yellowstone, essas reações poderiam ter acontecido de forma natural.


O próximo passo: recriar as primeiras células

Essa descoberta não apenas resolve parte do quebra-cabeça da origem da vida, mas também une duas hipóteses antes vistas como rivais: a do “mundo do RNA”, que coloca o RNA como protagonista inicial, e a do “mundo dos tioésteres”, que defende que essas ligações energéticas impulsionaram o metabolismo primitivo.

Para Powner, o desafio agora é ainda mais ambicioso: reconstruir experimentalmente um conjunto de reações capaz de formar uma célula primitiva.

Uma célula que não apenas exista, mas que também possa evoluir, revelando como as estruturas universais da vida se organizaram.

Se isso for alcançado, estaremos diante de uma das maiores conquistas científicas da história: compreender, com base em evidências experimentais, como a vida realmente começou na Terra.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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