Principais destaques
- A morte recente de um chefe de Estado reacende uma dúvida histórica sobre o papel dos Estados Unidos em assassinatos políticos.
- Existe uma proibição formal contra esse tipo de ação, criada após escândalos envolvendo a CIA nos anos 1970.
- Apesar disso, Washington já participou de operações que resultaram na queda ou morte de líderes estrangeiros, direta ou indiretamente.
A pergunta voltou ao centro do debate internacional: os Estados Unidos já assassinaram um líder mundial antes?
A resposta não é simples. Embora exista uma ordem executiva que proíbe oficialmente o governo americano de promover assassinatos políticos, a trajetória histórica do país mostra episódios controversos, especialmente durante a Guerra Fria e após os atentados de 11 de Setembro.
A recente eliminação do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, é considerada por historiadores como o primeiro caso moderno em que Washington teria participado abertamente da morte de um chefe de Estado em exercício. Isso marca uma mudança significativa em relação ao padrão anterior de ações encobertas ou indiretas.
A proibição oficial e o passado da CIA
Após o escândalo de Watergate, o Senado americano criou o Church Committee para investigar abusos das agências de inteligência. O relatório revelou tentativas secretas de assassinar líderes estrangeiros, incluindo diversas investidas frustradas contra Fidel Castro nos anos 1960.
Como resposta, três presidentes consecutivos assinaram ordens executivas proibindo assassinatos políticos. A versão mais conhecida foi formalizada por Ronald Reagan, e tecnicamente continua em vigor.
Antes disso, os EUA já haviam apoiado a derrubada de governos estrangeiros. Em 1953, por exemplo, o primeiro-ministro iraniano Mohammad Mosaddegh foi deposto com apoio americano e britânico.
No Chile, a CIA teve papel na desestabilização que levou à queda de Salvador Allende em 1973. Nessas situações, porém, Washington evitou assumir diretamente a execução dos líderes.
Mudança após o 11 de Setembro
Os ataques de 2001 transformaram a política externa americana. O Congresso concedeu amplos poderes ao presidente para combater o terrorismo global, o que abriu espaço para operações letais contra alvos considerados ameaças diretas.
Foi nesse contexto que Osama bin Laden foi morto em 2011, durante uma operação no Paquistão. Em 2020, o então presidente Donald Trump autorizou o ataque que matou o general iraniano Qasem Soleimani no Iraque.
Esses casos, no entanto, envolviam líderes de organizações terroristas ou comandantes militares, não chefes de Estado formalmente reconhecidos.
Um precedente que pode mudar tudo
Ao participar da morte de um líder máximo de um país soberano, os Estados Unidos ultrapassam uma linha que historicamente tentaram evitar publicamente.
Especialistas alertam que esse tipo de decisão pode gerar consequências imprevisíveis, inclusive retaliações e instabilidade regional.
Ao longo das décadas, autoridades americanas argumentaram que assassinar líderes estrangeiros poderia criar mais problemas do que soluções.
Agora, com um novo precedente estabelecido, a política externa americana entra em território ainda mais delicado, colocando em debate os limites entre segurança nacional, legalidade e ética internacional.
