Para onde foi o asteroide que acabou com os dinossauros?

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques:

  • O asteroide que atingiu a Terra há 66 milhões de anos tinha cerca de 12 quilômetros de diâmetro e não deixou grandes pedaços visíveis.
  • A principal pista de sua existência está em uma fina camada rica em irídio espalhada pelo planeta.
  • A cratera de Chicxulub, no México, é a cicatriz gigante que comprova o impacto catastrófico.

Há cerca de 66 milhões de anos, a história da vida na Terra mudou para sempre. Um asteroide colossal, do tamanho de uma montanha, entrou na atmosfera em altíssima velocidade e colidiu com o planeta, desencadeando a extinção em massa que pôs fim aos dinossauros não aviários.

Mas uma pergunta intriga cientistas e curiosos até hoje: se ele era tão grande, onde foram parar seus restos?

Um impacto tão violento que virou poeira

A resposta começa pela força inimaginável da colisão. Ao atingir a Terra, o asteroide liberou uma energia comparável a milhares de bombas nucleares explodindo ao mesmo tempo.

O resultado foi quase imediato: a maior parte da rocha foi vaporizada ou fragmentada em partículas microscópicas, lançadas para a atmosfera e espalhadas por todo o globo.

Esses fragmentos caíram lentamente durante anos, formando uma camada extremamente fina nas rochas do planeta. É aí que entra o chamado “mistério do irídio”.

A camada de irídio que entregou o culpado

Décadas depois, cientistas descobriram uma faixa escura no registro geológico conhecida como anomalia de irídio. Esse elemento químico é raro na crosta terrestre, mas muito comum em asteroides. Em alguns pontos, a concentração chega a ser 80 vezes maior do que o normal.

O achado mais famoso ligado a esse material veio de um fragmento minúsculo, do tamanho de um grão de gergelim, identificado pelo geólogo Frank Kyte em uma amostra retirada do fundo do oceano, perto do Havaí.

É, até hoje, um dos pouquíssimos pedaços físicos associados diretamente ao asteroide.

A cicatriz gigante escondida no México

Além do pó espalhado pelo planeta, o impacto deixou uma marca impossível de ignorar: a cratera de Chicxulub, com cerca de 180 quilômetros de diâmetro e 20 quilômetros de profundidade.

Localizada na Península de Yucatán, ela hoje está em grande parte soterrada por sedimentos e pelo Golfo do México, mas ainda revela sinais claros de sua borda, como arcos de sumidouros no solo.

O choque também provocou um tsunami quase tão alto quanto um prédio de 30 andares, incêndios globais, chuvas ácidas e um longo período de escuridão que derrubou a temperatura do planeta e colapsou a cadeia alimentar.

Segundo o cientista planetário Alan Hildebrand, os efeitos foram tão extremos que não surpreende que cerca de 75% das espécies da Terra tenham desaparecido.

No fim das contas, o asteroide praticamente deixou de existir como corpo sólido. O que sobrou foram pistas espalhadas pelo planeta e uma cratera monumental que conta, em silêncio, a história do dia em que a Terra mudou para sempre.

Seguir:
Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
Nenhum comentário