Por que alguns pacientes desenvolvem “cachos da quimio” após o tratamento contra o câncer?

Renê Fraga
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Principais destaques

  • A quimioterapia pode alterar temporariamente o formato dos folículos capilares, mudando a textura do cabelo
  • Os chamados “cachos da quimio” surgem quando o cabelo volta mais enrolado do que era antes
  • Na maioria dos casos, o fio retorna ao padrão original cerca de um ano após o fim do tratamento

A queda de cabelo é um dos efeitos colaterais mais marcantes da quimioterapia. Para muitas pessoas, o cabelo faz parte da identidade e da autoestima, o que torna essa fase ainda mais delicada.

A boa notícia é que a perda dos fios geralmente indica que o tratamento está agindo como esperado. E, na maior parte dos casos, o cabelo cresce novamente depois que a terapia termina.

O que surpreende muitos pacientes é que o novo cabelo pode nascer diferente. Em vez de voltar liso como antes, ele pode surgir ondulado ou até bem cacheado. Esse fenômeno ficou conhecido popularmente como “cachos da quimio”.

Como o cabelo cresce normalmente

Cada fio de cabelo é formado por células mortas ricas em queratina. Ele nasce dentro do folículo capilar, uma estrutura complexa localizada no couro cabeludo que funciona como uma pequena fábrica biológica. Esses folículos passam por ciclos contínuos de crescimento, repouso e queda.

Nós já nascemos com todos os folículos que teremos ao longo da vida. No entanto, fatores como genética, alimentação e alterações hormonais influenciam a aparência do cabelo com o passar dos anos. A cor, por exemplo, depende da produção de pigmentos, enquanto o formato do fio está ligado ao formato do próprio folículo.

Folículos mais circulares produzem fios lisos. Já os mais achatados tendem a gerar fios cacheados ou crespos. Formatos intermediários criam cabelos ondulados.

O que a quimioterapia faz com os folículos

A quimioterapia age atacando células que se dividem rapidamente, característica comum nas células cancerígenas. O problema é que os folículos capilares também estão entre as estruturas mais ativas do corpo. Por isso, acabam sendo atingidos durante o tratamento.

Quando isso acontece, o ciclo de crescimento do cabelo é interrompido. Os fios podem cair ainda na fase de crescimento ou o folículo pode entrar em um estado temporário de “repouso”. Esse processo provoca a queda capilar observada durante o tratamento.

Após o término da quimioterapia, as células-tronco presentes nos folículos começam gradualmente a retomar sua atividade. O cabelo volta a crescer, mas o impacto causado pelos medicamentos pode ter alterado temporariamente o formato do folículo. Se a estrutura ficar levemente modificada, o fio produzido também pode ter formato diferente, ficando mais fino, mais espesso ou mais cacheado do que antes.

Por que os “cachos da quimio” costumam ser temporários

Além das mudanças físicas nos folículos, a quimioterapia também pode afetar sistemas do corpo responsáveis pela produção hormonal e pela pigmentação dos fios. Isso explica por que algumas pessoas relatam mudanças na cor do cabelo após o tratamento.

Com o tempo, à medida que o organismo elimina completamente os medicamentos e os folículos se recuperam do estresse, o padrão natural tende a retornar. Especialistas indicam que, em muitos casos, o cabelo volta ao formato original dentro de aproximadamente um ano.

Enquanto o cabelo se recupera, médicos recomendam evitar procedimentos agressivos, como alisamentos químicos ou colorações intensas, para não prejudicar os fios que estão renascendo. Uma boa alimentação e cuidados suaves com o couro cabeludo também ajudam nesse processo.

O fenômeno dos “cachos da quimio” é um exemplo de como o corpo humano é resiliente. Mesmo após um tratamento intenso, os folículos capilares conseguem se reorganizar e, na maioria das vezes, retomar sua forma natural.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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