Por que as crianças comem meleca? A ciência tenta explicar um hábito curioso

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • Comer meleca é um comportamento mais comum do que os adultos imaginam e não acontece só entre humanos.
  • Outros primatas também praticam esse hábito, o que levanta hipóteses evolutivas curiosas.
  • Até hoje, não há provas científicas de que comer meleca traga benefícios reais à saúde.

Quem convive com crianças já presenciou a cena: dedo no nariz, concentração total e, logo depois, a meleca indo direto para a boca.

Para muitos adultos, isso causa nojo imediato. Para as crianças, parece algo absolutamente normal. Mas afinal, por que esse hábito é tão frequente na infância?

A ciência ainda não tem uma resposta definitiva, mas pesquisadores já levantaram hipóteses curiosas que ajudam a entender melhor esse comportamento tão comum e tão pouco discutido.

Não é só coisa de criança

Apesar de faltar dados precisos sobre quantas crianças comem meleca, especialistas afirmam que o comportamento é bastante disseminado. E não para por aí. Estudos e observações mostram que outros primatas, como chimpanzés, gorilas e até lêmures, também cutucam o nariz e ingerem o muco.

Uma bióloga evolutiva chamou atenção para o caso do aye-aye, um lêmure conhecido por seu dedo médio extremamente longo. Ao observar o animal em cativeiro, ela percebeu que ele usava o dedo não só para caçar insetos, mas também para retirar secreções do nariz e comê-las em seguida.

Esse tipo de registro levou cientistas a suspeitar que o hábito pode ter raízes evolutivas mais profundas do que se imaginava.

Existe algum benefício em comer meleca?

O muco nasal é composto quase totalmente por água, além de proteínas, sais e outras substâncias. Ele funciona como uma barreira natural do corpo, capturando poeira, esporos e microrganismos antes que eles cheguem aos pulmões.

Já foi levantada a hipótese de que, ao ingerir meleca, crianças poderiam expor o organismo a pequenas quantidades de germes, ajudando o sistema imunológico a “aprender” a se defender.

No entanto, essa ideia nunca foi comprovada em estudos científicos. Muitos especialistas são céticos e afirmam que qualquer microrganismo presente no muco provavelmente é destruído durante a digestão.

Por outro lado, médicos alertam que o hábito pode facilitar a transmissão de bactérias, especialmente em ambientes com pessoas imunocomprometidas.

Curiosidade, conforto e gosto

Se não há benefícios comprovados, por que as crianças continuam fazendo isso? Uma explicação mais simples parece ser a mais provável.

A meleca pode causar coceira e desconforto no nariz, levando a criança a cutucar a região. A partir daí, entra a curiosidade infantil e o impulso de experimentar.

Em um pequeno estudo informal, crianças relataram que comem meleca porque gostam da textura e do sabor, descrito como crocante e levemente salgado.

Além disso, diferentemente dos adultos, elas ainda não associam o hábito a algo socialmente errado. Com o tempo, broncas e normas sociais fazem com que o comportamento desapareça ou passe a ser escondido.

Enquanto a ciência não traz respostas definitivas, a explicação mais honesta talvez seja a mais simples: muitas crianças comem meleca porque acham agradável.

Pode parecer estranho para os adultos, mas, do ponto de vista infantil, é apenas mais uma descoberta do próprio corpo.

Seguir:
Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
Nenhum comentário