✨ Principais destaques:
- Pesquisadores descobriram que alterações genéticas associadas ao autismo evoluíram rapidamente em humanos, mas não em outros primatas.
- Essas mudanças podem ter ajudado a moldar a capacidade única de linguagem e cognição da nossa espécie.
- O estudo sugere que a própria diversidade neurológica dos humanos pode ser um resultado direto da evolução.
Uma condição mais presente do que pensamos
Hoje, estima-se que 1 em cada 31 crianças nos Estados Unidos receba o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Em escala global, a Organização Mundial da Saúde calcula que 1 em cada 100 crianças esteja dentro desse espectro.
O curioso é que condições como autismo e esquizofrenia são praticamente exclusivas da nossa espécie: dificilmente aparecem em outros primatas.
O que isso tem a ver com evolução? Muito mais do que parece.
Segundo um estudo publicado na revista Molecular Biology and Evolution, o elevado índice de autismo entre humanos pode estar ligado diretamente às mudanças que tornaram o cérebro humano único, especialmente no que diz respeito à linguagem, cognição e desenvolvimento cerebral mais lento em comparação a outros animais.
O cérebro humano e suas células especiais
Com o avanço da tecnologia de RNA de célula única, cientistas passaram a explorar o cérebro em detalhes, identificando uma enorme diversidade de tipos de neurônios.
Entre os achados mais impressionantes estão os neurônios L2/3 IT, células muito abundantes na camada externa do cérebro humano.
Esses neurônios, ao serem comparados com os de outros primatas, mostraram algo surpreendente: eles evoluíram bem mais rápido nos humanos.
Junto a essa evolução acelerada, os cientistas notaram também alterações significativas em genes ligados ao autismo.
Ou seja, as mesmas características genéticas que aumentaram a diversidade neurológica em nossa espécie podem ter sido impulsionadas pela seleção natural.
Mas por que isso seria vantajoso para nossos ancestrais? Essa é a pergunta que ainda gera especulação.
Uma hipótese é que tais mudanças favoreceram o desenvolvimento cerebral mais lento após o nascimento, algo fundamental para o aprendizado intenso da infância humana — incluindo a capacidade de aprender e dominar a linguagem.
A possível vantagem evolutiva do autismo
O estudo sugere que os genes associados ao autismo podem ter desempenhado um papel inesperado na evolução: abrir caminho para a linguagem, o pensamento complexo e a neurodiversidade humana.
O tempo prolongado de desenvolvimento do cérebro nos primeiros anos de vida teria permitido que os humanos criassem formas mais sofisticadas de comunicação e cognição.
Como disse o autor principal da pesquisa, Alexander L. Starr, da Universidade de Stanford: “Algumas das mudanças genéticas que tornam o cérebro humano único também nos tornaram mais neurodiversos”.
Em outras palavras, aquilo que hoje reconhecemos como desafios do espectro autista pode carregar raízes profundas na história da humanidade, sendo parte essencial do processo que nos tornou quem somos.
