Por que os robôs mais avançados ainda se movem como máquinas?

Renê Fraga
4 min de leitura

🤖 Principais destaques:

  • O grande obstáculo dos robôs humanoides não é só a inteligência artificial, mas o próprio corpo.
  • A natureza já resolveu muitos dos problemas que a robótica ainda enfrenta, através de estruturas físicas inteligentes.
  • O futuro pode estar na “inteligência mecânica” — robôs que se adaptam ao ambiente sem gastar tanta energia.

Eles andam, pulam, dançam e até dobram camisetas. À primeira vista, parecem saídos diretamente de um filme de ficção científica.

Mas, por trás dos vídeos virais e das demonstrações impressionantes, existe um detalhe que impede os robôs humanoides de realmente conquistarem o mundo fora dos laboratórios: o corpo deles não é tão inteligente quanto o cérebro.

O corpo rígido que trava o avanço

Quando vemos o Atlas, da Boston Dynamics, fazendo acrobacias, ou o Optimus, da Tesla, carregando objetos, é fácil acreditar que a revolução robótica já chegou.

Mas, segundo especialistas, o problema vai muito além de melhorar o software de inteligência artificial.

A Sony, por exemplo, admitiu recentemente que seus robôs têm um número limitado de articulações, o que faz com que seus movimentos sejam muito menos naturais do que os de humanos ou animais. Isso reduz drasticamente sua utilidade no mundo real.

O motivo? A maioria dos robôs é projetada com um “cérebro central” que controla tudo, mas com um corpo rígido, feito de metal e motores.

Diferente de um atleta humano, que se move com fluidez graças a articulações flexíveis, tendões elásticos e músculos adaptáveis, um robô precisa fazer milhões de microcorreções por segundo para não cair — gastando muita energia no processo.

Para se ter uma ideia, o Optimus consome cerca de 500 watts por segundo apenas para andar. Um humano, fazendo uma caminhada rápida, gasta 310 watts por segundo e ainda realiza um esforço mais complexo.

Ou seja, o robô gasta quase 45% mais energia para fazer menos.

O que falta: inteligência mecânica

Esse desafio tem até nome: Inteligência Mecânica (MI). A ideia é simples, mas revolucionária: criar corpos de robôs que, assim como na natureza, se adaptem automaticamente ao ambiente, sem depender de sensores, processadores ou gasto extra de energia.A natureza é mestre nisso.

  • As escamas de um pinheiro se abrem no tempo seco para liberar sementes e se fecham quando está úmido — sem precisar de “cérebro” para decidir.
  • Os tendões de uma lebre funcionam como molas inteligentes, absorvendo impacto e devolvendo energia para o próximo salto.
  • A pele e os dedos humanos se moldam ao objeto que seguram, ajustando a umidade para ter a aderência perfeita.

Se um robô tivesse mãos com essas características, poderia segurar objetos com muito menos força e energia. Nesse caso, a própria pele seria o computador.

O futuro: robôs que pensam com o corpo

Pesquisadores já estão criando robôs com pernas que imitam os tendões de um guepardo, permitindo corridas mais eficientes.

Outros desenvolvem articulações híbridas, que combinam a precisão de uma junta rígida com a flexibilidade de uma articulação humana.

Essa abordagem não significa abandonar os robôs humanoides, mas repensar como eles são construídos.

Com corpos mais inteligentes, a inteligência artificial poderia se concentrar no que faz de melhor: planejar, aprender e interagir com o mundo.

O resultado? Máquinas que não apenas executam tarefas, mas que se movem e reagem como seres vivos, gastando menos energia e sendo muito mais úteis fora dos laboratórios.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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