Por que seu cérebro às vezes ‘reseta’ coisas que você conhece?

Renê Fraga
3 min de leitura

Você já teve aquela sensação bizarra de que algo que deveria ser familiar de repente parece… estranho, como se fosse a primeira vez que você está vendo ou fazendo aquilo?

Se sim, você pode ter experimentado o jamais vu – o misterioso oposto do déjà vu!

Enquanto o déjà vu nos faz sentir que já vivemos um momento antes, o jamais vu é como um “reset” cerebral que transforma o conhecido em algo totalmente novo e até assustador. E os cientistas estão começando a desvendar por que isso acontece.

Quando o cérebro “desliga” o automático

Imagine estar dirigindo no mesmo caminho de sempre quando, do nada, seu cérebro parece esquecer como um volante funciona.

Foi exatamente isso que aconteceu com o psicólogo Dr. Akira O’Connor, da Universidade de St Andrews, na Escócia. Ele teve que parar o carro para se reconectar com os pedais e o volante, como se estivesse aprendendo a dirigir de novo!

Segundo os pesquisadores, esse fenômeno ocorre quando uma ação tão automática (como dirigir ou escrever) faz o cérebro “desligar” o piloto automático e forçar você a pensar conscientemente no que está fazendo.

É como se sua mente dissesse: “Ei, presta atenção aqui de novo!”

O experimento que provocou o Jamais Vu em laboratório

Para entender melhor, a equipe do Dr. O’Connor fez um teste simples: pediu que voluntários escrevessem a mesma palavra repetidamente.

O resultado? Cerca de 70% deles pararam em algum momento, achando que a palavra havia perdido todo o sentido – como se não fosse mais real.

Você mesmo pode tentar isso em casa: repita uma palavra em voz alta várias vezes seguidas. Em algum momento, ela vai soar… estranha, quase como se não pertencesse mais à sua língua. Bizarro, não?

Por que isso acontece?

Segundo os cientistas, o jamais vu é um mecanismo de proteção do cérebro. Nosso sistema cognitivo precisa se manter flexível para não ficar preso em tarefas repetitivas demais.

Esse “reset” momentâneo garante que possamos mudar o foco quando necessário.

“A sensação de irrealidade é, na verdade, um cheque-realidade”, explicaram os pesquisadores. “Faz sentido que isso aconteça. Nossos sistemas cognitivos precisam se manter ágeis.”

E aí, já passou por isso? Conte nos comentários se você já teve um momento de jamais vu – e se ele foi tão perturbador quanto fascinante!

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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