🧠 Principais destaques:
- Conexão social: teorias da conspiração não isolam, mas criam comunidades ativas e engajadas.
- Desencadeadores emocionais: perdas pessoais e crises podem despertar a busca por explicações ocultas.
- Do debate ao ativismo: muitos grupos passam da troca de ideias para protestos e ações organizadas.
Pesquisadores britânicos passaram cinco anos investigando como e por que tantas pessoas acabam se envolvendo com teorias da conspiração.
O que eles descobriram vai muito além da imagem comum do “tecladista solitário” navegando em fóruns obscuros da internet.
Na verdade, essas crenças estão se transformando em movimentos sociais organizados, capazes de reunir pessoas em torno de causas, protestos e até atos de vandalismo. Mas o que leva alguém a mergulhar nesse universo?
O despertar: quando a vida vira gatilho
Muitas vezes, a entrada nesse mundo começa com eventos traumáticos: a perda de um emprego, a morte de um ente querido ou crises que abalam a confiança em autoridades e instituições.
Nessas situações, a dor e a raiva podem se transformar em desconfiança e a busca por respostas encontra terreno fértil nas teorias conspiratórias.
Esse momento é descrito por alguns como um “despertar”. É quando a pessoa sente que finalmente enxerga “a verdade por trás do sistema”.
Um entrevistado chegou a dizer que foi como se “uma luz tivesse acendido na cabeça”.
Mas esse despertar raramente acontece sozinho.
Fóruns online, grupos de mensagens e encontros presenciais funcionam como espaços de acolhimento, onde pessoas compartilham suas suspeitas e reforçam umas às outras a sensação de que estão descobrindo algo importante.
Comunidade, pertencimento e propósito
Ao contrário do estereótipo de isolamento, muitos relatam surpresa ao encontrar amizade, apoio e até entusiasmo dentro dessas comunidades.
A troca de informações, mesmo que duvidosas, gera um sentimento de pertencimento.
Mais do que explicações alternativas para o mundo, as teorias da conspiração oferecem identidade e propósito.
Participar de debates, “fazer sua própria pesquisa” e compartilhar descobertas dá a sensação de ser um investigador independente, alguém que está “vendo além do que a mídia mostra”.
Esse processo fortalece a autoestima e cria uma rede de colaboração. Cada novo membro pode contribuir com links, vídeos ou interpretações, o que reforça a ideia de que todos são parte de uma missão coletiva.
Do discurso à ação: quando a conspiração vira ativismo
Com o tempo, muitas dessas comunidades deixam de ser apenas espaços de conversa e passam a se organizar em movimentos de protesto.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com grupos contrários ao 5G, às vacinas contra a COVID-19 e até ao conceito de “cidades de 15 minutos” que, para alguns, seria uma forma de controle governamental.
Esses protestos podem parecer inofensivos, mas em alguns casos resultam em conflitos sérios: ataques a centros de vacinação, vandalismo em antenas de telecomunicação e até prisões de ativistas.
E há ainda outro lado: enquanto muitos se dedicam a combater inimigos imaginários, empreendedores da conspiração lucram com o movimento.
Eles produzem conteúdos que alimentam a desconfiança e, ao mesmo tempo, vendem livros, cursos, suplementos e até gadgets “alternativos”.
É inegável que conspirações reais já existiram na história. Mas a questão é: quanto tempo e energia estão sendo desperdiçados em batalhas contra inimigos que talvez nem existam?
Enquanto isso, os verdadeiros problemas, como corrupção, desigualdade, crises ambientais, podem acabar ficando em segundo plano.
