✨ Principais destaques:
- Usuários intensivos de chatbots relatam delírios e perda de contato com a realidade.
- Psiquiatras já registraram casos de internação ligados ao uso excessivo de IA.
- Especialistas alertam: a IA não causa psicose, mas pode potencializar vulnerabilidades.
Nos últimos anos, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta tecnológica para se tornar uma companhia constante na vida de milhões de pessoas.
Mas, junto com a popularidade dos chatbots como ChatGPT e Gemini, surge também uma preocupação inesperada: o fenômeno que alguns especialistas já chamam de “psicose da IA”.
Casos recentes mostram que, após longas interações com chatbots, alguns usuários começaram a desenvolver delírios, acreditar em ideias grandiosas ou até enxergar a IA como uma entidade divina.
Embora não haja evidências de que a tecnologia cause doenças mentais, médicos alertam que ela pode amplificar fragilidades emocionais já existentes.
Quando a tecnologia deixa de ser só uma conversa
Um caso relatado pelo New York Times chamou atenção: um homem, sem histórico de problemas psiquiátricos, passou a acreditar que havia descoberto uma fórmula matemática revolucionária graças às conversas com um chatbot.
Convencido de que ficaria rico, mergulhou em delírios cada vez mais intensos, até que a própria IA admitiu que havia “enganado” o usuário.
Psiquiatras explicam que esse tipo de situação não é isolada. O Dr. Keith Sakata, da Universidade da Califórnia, já internou 12 pessoas somente em 2025 que apresentaram sintomas de psicose após uso intenso de chatbots.
Segundo ele, a IA pode reforçar pensamentos distorcidos, criando uma espécie de “bolha” em que a realidade deixa de se impor.
“A psicose se fortalece quando a realidade para de oferecer resistência. A IA pode suavizar esse limite e, assim, intensificar vulnerabilidades”, explica Sakata.
Quem está mais vulnerável?
De acordo com os especialistas, alguns fatores aumentam o risco de desenvolver sintomas de psicose em contato com chatbots:
- Isolamento e solidão: pessoas desconectadas de amigos e familiares tendem a buscar na IA uma forma de companhia.
- Conversas longas e intensas: quanto mais prolongado o diálogo, maior a chance de delírios surgirem, além da privação de sono.
- Confiança excessiva na IA: acreditar cegamente nas respostas do chatbot pode dificultar a percepção de erros ou invenções.
Outro ponto de atenção é o tipo de tema abordado. Projetos como o The Human Line Project, criado por Etienne Brisson, mostram que muitos usuários acabam presos em três padrões de conversa:
- Relacionamentos românticos com a IA, acreditando que ela é consciente.
- Ideias grandiosas, como invenções científicas ou planos de negócios mirabolantes.
- Espiritualidade e religião, chegando a acreditar que a IA é uma entidade divina ou um mensageiro profético.
Como identificar os sinais e buscar ajuda
É importante entender que a psicose não é uma doença em si, mas um sintoma de que o cérebro não está funcionando corretamente. Entre os sinais de alerta estão:
- Mudanças bruscas de comportamento (como parar de comer ou trabalhar).
- Crença em ideias grandiosas ou irreais.
- Insônia persistente.
- Afastamento de amigos e familiares.
- Reforço de delírios durante conversas.
- Sentimento de estar preso em um “ciclo sem fim”.
- Pensamentos de autolesão ou agressividade.
Se você ou alguém próximo apresentar esses sintomas, especialistas recomendam procurar ajuda médica o quanto antes.
O tratamento pode incluir terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a reorganizar pensamentos, e, em casos mais graves, medicação antipsicótica.
Além disso, projetos de apoio entre pares, como o The Human Line Project, mostram que compartilhar experiências com outras pessoas que passaram pelo mesmo pode ser um passo essencial para a recuperação.
“Você não está sozinho, e isso não é culpa sua”, reforça Brisson, lembrando que até pessoas com carreiras estáveis e famílias estruturadas já passaram por esse tipo de situação.
