Quanto do corpo humano é possível perder e ainda continuar vivo?

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • O corpo humano tem cerca de 80 órgãos, mas apenas cinco são considerados realmente vitais para a sobrevivência.
  • Pessoas podem viver sem braços, pernas e até sem partes de órgãos essenciais, desde que algumas funções básicas sejam preservadas.
  • Avanços médicos mudaram completamente o limite entre sobreviver e não sobreviver a perdas extremas do corpo.

A cena clássica do filme Monty Python and the Holy Grail, em que um cavaleiro continua lutando mesmo após perder braços e pernas, é engraçada justamente por parecer absurda.

Mas, curiosamente, a ciência mostra que essa situação não é tão impossível quanto parece. A pergunta é direta e desconcertante: quanto do corpo humano pode ser perdido sem que a vida chegue ao fim?

Nem todo órgão é essencial para continuar vivo

Apesar de o corpo humano ter dezenas de órgãos, apenas cinco são considerados vitais: cérebro, coração, pulmões, fígado e rins.

Eles são responsáveis por funções sem as quais o organismo simplesmente não funciona, como respiração, circulação, filtragem do sangue e controle das atividades do corpo.

Mesmo assim, há exceções surpreendentes. É possível viver com apenas um rim, perder uma grande parte do fígado e ainda sobreviver, já que ele tem uma incrível capacidade de regeneração.

Até mesmo partes do cérebro podem ser removidas sem causar a morte, desde que o tronco cerebral permaneça intacto, pois ele controla funções automáticas como respirar e manter os batimentos cardíacos.

Membros fazem falta, mas não são decisivos para a sobrevivência

Braços e pernas são fundamentais para a mobilidade e a autonomia, mas não são essenciais para manter alguém vivo. Em situações extremas, amputações podem salvar vidas, especialmente quando há risco de infecção ou hemorragia grave.

Aliás, o maior perigo em traumas severos não é a perda do membro em si, mas a quantidade de sangue perdida. Um adulto tem cerca de cinco litros de sangue no corpo, e perder mais da metade disso torna a recuperação extremamente difícil. Controlar o sangramento é quase sempre a prioridade número um em emergências médicas.

A medicina redefiniu o que significa sobreviver

Hoje, a ciência consegue substituir temporariamente funções do corpo que antes eram impossíveis de compensar. Máquinas de diálise fazem o trabalho dos rins, ventiladores ajudam os pulmões, e tecnologias avançadas conseguem até substituir coração e pulmões por um período limitado.

Esses recursos, no entanto, nem sempre são soluções definitivas. Em muitos casos, eles servem como uma ponte até um transplante ou até o corpo se recuperar parcialmente. Isso torna a definição de sobrevivência mais complexa e menos absoluta do que no passado.

No fim das contas, o corpo humano é mais resistente do que parece. Pessoas continuam surpreendendo médicos ao sobreviver a situações que, à primeira vista, pareciam fatais. E talvez seja justamente essa capacidade inesperada de resistir que torne o tema tão fascinante.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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