Robô químico cria centenas de moléculas e revela novo antibiótico em tempo recorde

Renê Fraga
3 min de leitura

Principais destaques

  • Sistema robótico automatizado sintetizou e testou mais de 700 compostos em apenas uma semana.
  • Entre os resultados, surgiu um antibiótico à base de irídio eficaz contra bactérias resistentes.
  • A abordagem combina automação e química inteligente para acelerar a descoberta de medicamentos.

Pesquisadores da Universidade de York demonstraram que a automação pode transformar a busca por novos antibióticos. Em um estudo publicado na revista Nature Communications, a equipe mostrou como um robô de laboratório foi capaz de sintetizar e analisar centenas de compostos metálicos em tempo recorde, identificando um candidato promissor contra bactérias resistentes a medicamentos.

O avanço chega em um momento crítico. A resistência antimicrobiana já está associada a mais de um milhão de mortes por ano no mundo, e infecções comuns estão se tornando cada vez mais difíceis de tratar com antibióticos tradicionais.

Automação acelera a descoberta de antibióticos

O coração do experimento foi um robô de manuseio de líquidos da plataforma Opentrons, combinado com a chamada química click. Esse método permite unir componentes moleculares de forma rápida e eficiente. Com essa estratégia, os pesquisadores combinaram quase 200 ligantes diferentes com cinco metais, gerando 672 complexos metálicos em apenas uma semana.

Segundo o líder do estudo, o químico Angelo Frei, a grande inovação não é apenas o composto encontrado, mas a velocidade do processo. Enquanto métodos tradicionais levam meses ou anos, a automação permitiu explorar regiões inteiras do espaço químico em dias.

Por que compostos metálicos chamam atenção

Diferentemente da maioria dos antibióticos atuais, baseados em moléculas orgânicas planas, os complexos metálicos têm estruturas tridimensionais. Essa geometria amplia as formas de interação com as bactérias e pode ajudar a driblar mecanismos de resistência já conhecidos.

Nos testes iniciais, dezenas de compostos mostraram forte atividade contra Staphylococcus aureus. Alguns alcançaram níveis de eficácia comparáveis aos de antibióticos consagrados, como a vancomicina, mas com baixa toxicidade para células humanas.

Um candidato promissor e um novo caminho para a IA na química

Entre os compostos selecionados, um complexo de irídio se destacou por sua alta eficácia contra bactérias resistentes e pela segurança em testes laboratoriais. Ele não causou danos a células humanas nem apresentou efeitos indesejados mesmo em concentrações elevadas.

Mais do que um novo antibiótico, o estudo aponta para um futuro em que robôs, automação e inteligência computacional se tornam aliados centrais na química medicinal. A equipe agora trabalha para entender em detalhes como o composto age nas bactérias e pretende expandir a triagem para outros metais, explorando ainda mais esse território pouco explorado da ciência.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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