Rovers atolados: o que a NASA não sabia sobre o solo da Lua e de Marte

Renê Fraga
4 min de leitura

🚀 Principais destaques:

  • Cientistas descobriram um erro simples, mas importante, nos testes da NASA com rovers na Terra.
  • A gravidade terrestre afeta não só o veículo, mas também o comportamento da areia, tornando os testes menos realistas.
  • A descoberta pode evitar que futuras missões enfrentem problemas como o que prendeu o rover Spirit em Marte.

Por décadas, engenheiros da NASA acreditaram que estavam simulando com precisão como seus rovers se comportariam na Lua ou em Marte.

Para isso, reduziam o peso dos veículos de teste na Terra, imitando a gravidade mais fraca dos outros mundos. Mas havia um detalhe que ninguém tinha notado: não é só o rover que reage à gravidade — o solo também.

Essa descoberta veio de um estudo conduzido pela Universidade de Wisconsin–Madison, e pode mudar a forma como exploramos outros planetas.

O problema escondido na areia

Quando um rover de milhões de dólares fica preso em solo fofo, como aconteceu com o Spirit em 2009, a equipe na Terra entra em ação como uma espécie de “guincho remoto”.

Mas o resgate é lento, delicado e nem sempre dá certo. No caso do Spirit, o veículo nunca conseguiu se libertar.

O professor Dan Negrut e sua equipe perceberam que, durante décadas, a NASA adaptava apenas o peso dos rovers nos testes terrestres.

Isso ignora um efeito importante: a gravidade da Terra comprime a areia, deixando-a mais firme do que ela seria na Lua ou em Marte.

No espaço, o solo é muito mais fofo e instável, aumentando o risco de o rover afundar e perder tração.

Simulações que revelaram a verdade

Para chegar a essa conclusão, os engenheiros usaram o Project Chrono, um simulador de física criado na própria universidade e usado pela NASA para projetar o rover VIPER, planejado para uma missão lunar.

As simulações mostraram que os testes na Terra davam uma falsa impressão de segurança. Em baixa gravidade, como na Lua (que tem apenas 1/6 da gravidade terrestre), a areia não se comporta da mesma forma — e isso muda completamente a mobilidade do veículo.

Negrut resume de forma simples: “Não basta considerar a força da gravidade no rover. É preciso pensar no efeito da gravidade sobre o próprio solo.”

Muito além do espaço

O mais interessante é que essa tecnologia não serve apenas para a NASA. O Project Chrono já foi usado para estudar desde o funcionamento de relógios mecânicos até o desempenho de caminhões e tanques do Exército dos EUA em terrenos difíceis.

Mesmo sendo gratuito e de código aberto, o software concorre com ferramentas de grandes empresas de tecnologia e continua evoluindo rapidamente, graças ao apoio de instituições como a National Science Foundation, o Exército dos EUA e a própria NASA.

Para os engenheiros, essa descoberta é mais do que corrigir um erro: é um passo crucial para evitar que nossos futuros exploradores espaciais fiquem “atolados” a milhões de quilômetros de casa.

Seguir:
Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
Nenhum comentário