Rússia pode estar desenvolvendo arma orbital com milhões de fragmentos metálicos

Renê Fraga
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Principais destaques

  • Serviços de inteligência indicam que a Rússia estuda uma arma antissatélite baseada em pequenos projéteis orbitais.
  • O alvo principal seria a constelação Starlink, usada para comunicações civis e militares.
  • Especialistas alertam que o uso desse tipo de tecnologia poderia tornar a órbita da Terra praticamente inutilizável por décadas.

Relatórios recentes de serviços de inteligência internacionais apontam que a Rússia pode estar trabalhando em um novo tipo de arma espacial com potencial altamente destrutivo.

A tecnologia, ainda em fase de especulação, teria como objetivo neutralizar satélites em larga escala, especialmente aqueles que hoje sustentam comunicações estratégicas em diferentes partes do mundo.

A preocupação cresce porque o espaço próximo à Terra já está cada vez mais congestionado, e qualquer ação agressiva nesse ambiente pode gerar consequências globais e duradouras.

A constelação Starlink, operada pela SpaceX, responde atualmente por cerca de dois terços de todos os satélites ativos em órbita terrestre baixa. O sistema fornece internet e infraestrutura de comunicação para mais de 150 países, além de ter papel relevante em operações militares, incluindo o apoio à Ucrânia.

Para Moscou, plataformas como essa representam um desafio estratégico. A dependência crescente de satélites comerciais em conflitos modernos tem impulsionado pesquisas em métodos capazes de desativar ou destruir esses equipamentos de forma simultânea.

Como funcionaria a suposta arma de fragmentação

Segundo as informações divulgadas, a arma seria composta por centenas de milhares de pequenos projéteis metálicos, lançados em órbita. Esses fragmentos funcionariam como uma espécie de nuvem permanente, destruindo qualquer satélite que cruzasse seu caminho.

O problema é que tal abordagem também criaria uma quantidade massiva de detritos espaciais, aumentando drasticamente o risco de colisões em cadeia. Especialistas alertam que isso poderia tornar certas órbitas inutilizáveis por muitos anos, afetando comunicações, navegação e até missões tripuladas.

Risco extremo e silêncio oficial

Há anos circulam rumores de que o presidente russo Vladimir Putin estaria interessado no desenvolvimento de armas espaciais ainda mais extremas, incluindo dispositivos de origem nuclear. Para analistas militares, isso reforça a possibilidade de que Moscou esteja disposta a assumir riscos elevados no espaço.

O brigadeiro-general canadense Christopher Horner afirmou que não seria surpreendente ver o desenvolvimento de algo “um pouco abaixo de uma arma nuclear, mas igualmente devastador”.

Procurado pela Associated Press, o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov não respondeu aos pedidos de comentário sobre o tema.

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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