Será a gravidade uma pista de que vivemos em uma simulação?

Renê Fraga
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E se a gravidade, essa força que nos mantém firmes no chão e rege o movimento dos planetas, não for exatamente o que pensamos? E se, na verdade, ela for apenas um efeito colateral de um universo que funciona como um gigantesco programa de computador?

Parece roteiro de ficção científica, mas essa é a proposta ousada de um estudo recente publicado na revista AIP Advances, liderado pelo físico Melvin M. Vopson.

Sua pesquisa sugere que a gravidade pode não ser uma força fundamental da natureza, mas sim uma consequência de algo ainda mais profundo: as leis da informação que governariam nosso universo como um código computacional.

O Universo como um Sistema de Informação

Você já notou como seu celular ou computador está sempre otimizando dados para funcionar melhor? Arquivos são compactados, memória é reorganizada e processos são simplificados para economizar energia. E se o cosmos fizesse a mesma coisa?

Vopson propõe que o universo opera sob uma Segunda Lei da Infodinâmica, uma espécie de “lei da informação” que determina que, em qualquer sistema fechado, a desorganização informacional (ou entropia da informação) deve diminuir ou permanecer constante. Isso é o oposto da famosa Segunda Lei da Termodinâmica, que diz que a desordem física sempre aumenta.

O Exemplo do Café Esfriando

Imagine uma xícara de café quente. Conforme ela esfria, a energia se dissipa até que o líquido atinja a temperatura ambiente – um estado de equilíbrio.

Na física tradicional, isso é o ápice da entropia (desordem). Mas, em termos de informação, acontece o contrário: quando todas as moléculas estão no mesmo nível de energia, a entropia informacional é mínima, porque os dados se tornam mais uniformes e previsíveis.

Agora, pense no espaço: quando partículas estão espalhadas aleatoriamente, o sistema é caótico e complexo. Mas, quando a gravidade as une – formando planetas, estrelas e galáxias –, a informação se compacta, tornando-se mais eficiente. Ou seja, a gravidade pode ser apenas o “algoritmo” do universo buscando otimizar seus dados.

O Universo Pixelizado

Se o cosmos fosse uma simulação, ele não seria contínuo, mas sim composto por pequenas “células” de informação – como pixels em uma foto ou blocos em um jogo digital. Cada célula guardaria dados básicos, como a posição de uma partícula, e, juntas, formariam a estrutura do espaço-tempo.

Quando objetos se agrupam pela gravidade, o sistema se simplifica. Em vez de milhões de partículas independentes, temos um único corpo celeste – reduzindo drasticamente a complexidade informacional. E o mais surpreendente? Os cálculos mostram que essa “força informacional” é matematicamente equivalente à lei da gravitação de Newton.

Vivemos em uma Simulação?

A ideia de que o universo pode ser um programa avançado não é nova, mas Vopson vai além: ele sugere que a própria gravidade seria uma prova disso. Em um universo artificial, esperaríamos:

  • Eficiência máxima (como a compactação de dados);
  • Simetrias (leis físicas universais);
  • Emergência de regras simples (como a gravidade a partir do código cósmico).

Claro, ainda não temos provas definitivas de que somos parte de uma simulação. Mas cada vez mais a física parece apontar para um universo que se comporta como um sistema computacional. Será que um dia descobriremos o “código-fonte” da realidade?

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Renê Fraga é criador do Muito Curioso e editor-chefe do Eurisko. Profissional com mais de duas décadas de experiência em conteúdo digital, escreve sobre ciência, história, cultura e curiosidades com foco em explicação, contexto e aprendizado acessível. No Muito Curioso, transforma perguntas simples em conhecimento contextualizado para leitores que gostam de aprender algo novo todos os dias.
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